Viagem por Malta: tudo que você precisa saber sobre essa ilha paradisíaca do Mediterrâneo

Pouca gente sabe que Malta existe, principalmente os brasileiros. O que é uma pena, pois esse é um dos lugares mais bonitos que passei na vida, repleto de belezas naturais e culturais de tirar o fôlego e que atualizaram a minha definição de paraíso. Localizado no meio do Mar Mediterrâneo, entre a ilha italiana da Sicília e a costa da Tunísia, Malta é um arquipélago formado por por 3 grandes ilhas habitadas: Malta, Gozo e Comino; e outras ilhas menores e desabitadas que as rodeiam.

Foram dois meses morando em Malta como parte de um intercâmbio de inglês realizado na International House e onde pude, além de aperfeiçoar um segundo idioma, conhecer pessoas especiais, visitar lugares fantásticos e ter algumas das melhores experiências da minha vida. Obrigado Malta!

  • Informações práticas

Nome: República de Malta
Capital: Valletta
Maiores cidades: Birkirkara, Mosta, Qormi, Żabbar, San Pawl il-Baħar, Sliema e San Ġwann.
Moeda: Euro
População (2018): 475 mil (171° mundo)
IDH (2017): 0.878 (29° mundo)

Vista parcial da ilha de Gozo com a as ilhas de Comino e Malta, ao fundo
Blue Lagoon Bay entre as ilhas de Comino e Cominotto
Manoel Island
  • História

Malta é habitada há mais de 5 mil anos, já tendo sido governada pelos fenícios, romanos, árabes, normandos, aragoneses, a Espanha dos Habsburgos, os Cavaleiros de São João, franceses e britânicos. Em 1964, ganhou a independência do Reino Unido e se tornou uma República parlamentarista – a cultura britânica, porém, continuou muito presente no modo de vida maltês.

Os tradicionais telefones são um legado britânico em Malta

Com 316 km², Malta é um dos menores países da Europa, possuindo também a maior densidade demográfica do continente. Já sua capital Valletta, com um pouco mais de 6 mil habitantes, é também uma das menores capitais do mundo.

Malta é também o país mais católico da Europa, já que cerca de 94% da população se declara seguidor da religião. Segundo a tradição, quando São Paulo naufragou, chegou à costa maltesa e começou a promover a conversão de seus habitantes. E esse legado cristão tem reflexo em vários elementos da cultura maltesa, principalmente na arquitetura – a maioria das casas e edifícios do país tem imagens sacras, crucifixos e altares em suas fachadas. Isso sem falar nas igrejas: são mais de 360 templos católicos espalhados pelas 3 ilhas – uma igreja para cada 1.000 pessoas, a maior densidade do continente. Já os santos padroeiros da ilha são São Jorge Preca e São Paulo, que derivaram duas das maiores festas religiosas do país.

As ruas de Valletta enfeitadas para a festa de São Paulo
Catedral de St. John em Valletta, uma das mais importantes e ricas do país – tem em seu interior pinturas de Caravaggio
Religiosidade em Malta
Religiosidade em Malta

Ainda falando sobre a arquitetura maltesa, além de igrejas exuberantes e de artigos religiosos sempre presentes, a maioria das construções da ilha tem coloridos balcões e são de ocre, cor de terra, o que traz a sensação de estarmos em algum país do Oriente Médio, assim como a vegetação de aparência árida da ilha.

Valletta
  • Qual o idioma de Malta?

Apesar de ser muito procurada por quem quer praticar o inglês, Malta tem dois idiomas oficiais: o inglês e o maltês.

O maltês é falado por quase 98% da população e é uma mistura de árabe com italiano e que pode assustar a primeira vista. Inclusive o italiano foi o idioma oficial do país, junto om o Maltês, até 1934. Mas não se preocupe, pois o inglês, resultado da colonização britânica, já é falado por quase 90% da população e em áreas turísticas é quase unanimidade.

As placas de trânsito, os supermercados, restaurantes e comércio no geral também utilizam o inglês como base, o que facilita e muito a comunicação e a locomoção.

  • Custo de vida e moeda

Malta tem o Euro como moeda desde 2008 e é um dos países mais baratos para turismo na zona do Euro, principalmente se a compararmos com destinos como França e Espanha. Mas claro que tudo vai depender do estilo de viagem de cada um e do período do ano – sim, durante o verão os preços chegar a duplicar. O salário mínimo em Malta gira em torno de 600€, o suficiente para se manter sem grandes regalias no país.

É possível encontrar quartos individuais em bons hotéis por menos de 40€ a diária – em um hostel esse preço pode cair para menos de 30€. Para quem vai ficar por um longo período, o aluguel de um quarto compartilhado em um apartamento em cidades mais turísticas dificilmente saíra por menos de 300€ – alguns já incluem contas básicas.

Nos supermercados, produtos básicos tem preço bem em conta, assim como algumas comidas de rua: é possível achar fatias grandes de pizza por 2€. Já em lanchonetes e restaurantes, um prato de refeição sai em torno de 10€ e um combo de hambúrguer com batata e refri sai por 6€.

Eletrodomésticos, eletrônicos e roupas no geral costumam ser caros, valendo a pena sempre pesquisar antes de comprar.

Rua comercial em Sliema
  • Intercâmbio e trabalho em Malta

Nos últimos anos, Malta se tornou um dos destinos mais procurados para intercambistas de inglês, motivados principalmente pelos preços mais baixos e temperaturas amenas. E a vinda de intercambistas se tornou uma das principais fontes de renda do país e escolas de idiomas são encontradas na maiorias das cidades maltesas.

Recentemente, uma lei sancionada em Malta permite que estudantes que não sejam europeus
possam trabalhar ao mesmo tempo que fazem curso de idiomas, com algumas restrições. Com isso, motivados também pela crise econômica e politica no Brasil, a comunidade de brasileiros residentes no país cresce a cada ano.

Durante meu intercâmbio de 8 semanas, além de brasileiros, tive contato com várias pessoas vindas da Espanha, Colômbia, Rússia, Turquia e principalmente do Japão e Taiwan.

Dingli Cliffs
  • Alimentação

Malta não é apenas cheia de belezas naturais e cidades com arquitetura impressionantes, mas também é paraíso para os amantes de boa culinária.  Devido a sua localização ao sul da Sicília, a influência italiana é muita grande, tendo como ingredientes básicos o queijo, o tomate, o azeite de oliva e as massas. Além, claro, dos frutos do mar – afinal, Malta está localizada no meio do Mediterrâneo 😋. E apesar de pequena, a ilha oferece boa variedade de restaurantes com preços acessíveis.

Destaque para o tradicional fenkata (coelho assado ou frito) e o pastizzi, salgado folhado e recheado com ricota, frango ou ervilha – eles são super baratos e vendidos em qualquer lugar, igual a coxinha no Brasil.

Pastizzi
Prato de coelho

Veja algumas dicas de restaurantes típicos malteses aqui.

  • Documentação e visto

Brasileiros não necessitam de visto para entrar no país – para estadia de até 90 dias, é necessário apenas o passaporte válido por no mínimo três meses depois da data de entrada ao país.

É necessário também apresentar um seguro de viagem internacional que cubra despesas médicas básicas. Não há vacinas obrigatórias – mas se tiver sua carteira de vacinação internacional, não deixe de levá-la.

  • Como chegar?

Só se chega ao arquipélago através de avião ou barco. O único aeroporto de Malta fica no centro da ilha principal, na cidade de Luqa. Ele tem um terminal de passageiros de tamanho médio e se tornou totalmente operacional em 25 de Março de 1992. O aeroporto serve hub para a Air Malta, principal companhia aérea do país, além de ser uma base para a Ryanair.

Eu cheguei na ilha através de um voo da Turkish Airlines depois de uma conexão em Istambul –  não existe voos diretos entre Brasil e Malta, então você terá que fazer pelo uma conexão até chegar ao destino final. Vale reforçar também que as passagens aéreas para o país não costumam ser muito baratas, até mesmo se você sair de algum país europeu, então vale sempre pesquisar com antecedência e buscar promoções.

Terminal de passageiros do Aeroporto de Malta

Também é possível chegar à Malta de ferry a partir da ilha da Sicília, na Itália. O trajeto costuma levar cerca de 2 horas.

  • Quando ir? Melhores meses, clima e temperatura média

Por ser uma ilha mediterrânea, Malta é conhecida por seu clima ameno, bem típico da região, com temperaturas variando entre 8 e 16 graus no inverno e de 25 a 30 no verão, que vai de junho a agosto.

Durante o verão, que é a alta temporada, a temperatura em Malta pode facilmente chegar aos 40 graus e a probabilidade de chuva é quase nula. Porém, por ser período de férias, o arquipélago fica lotado de turistas, o que também encarece a viagem – o país que tem 400 mil habitantes chega a ter quase 2 milhões durante esse período.

A minha estadia em Malta foi entre fevereiro e março. Como era finalzinho de outono e início de primavera, peguei muitos dias instáveis, com grande variação de temperatura – amanhecia chovendo, esfriava, saia o sol, esquentava, voltava a chover, etc. Isso sem falar nos ventos gelados e fortes de alguns dias e que me destruiu dois guarda chuvas em uma semana. Mesmo assim, a maioria dos dias nesses dois meses foi de sol e temperaturas em torno de 12 graus – só consegui aproveitar o calor e praia tão típicos da ilha em minha última semana, no final de março.

Com isso, acredito que os melhores meses para visitar Malta sejam entre final de abril e começo de junho, onde as temperaturas estão altas (mas nem tanto) e o número de turistas é menor.

único dia de praia em Malta e a certeza de voltar para o país durante o verão
Pôr do sol em Paradise Bay, uma das praias mais concorridas do lado norte de Malta
“modelando” em Blue Lagoon, a mais famosa e concorrida praia maltesa
  • Como se locomover na ilha?

Malta é um “ovo” de tão pequena. Tanto que em poucas horas você consegue ir de norte a sul ou de leste a oeste da ilha. Mas isso vai depender muito do tipo de transporte que você escolher.

Os aluguéis de carros, motocicletas e bicicletas têm preços atrativos, mas o trânsito maltês não é um dos mais fáceis. As ruas são estreitas, com muitas curvas, subidas e descidas, além da falta de educação de alguns motoristas. Isso sem falar na “mão inglesa”, que para quem não tem prática, pode ser um empecilho no inicio.

Típica rua maltesa em Valletta
Típica rua maltesa em Mosta

Já o sistema de transporte público é relativamente bom e liga os quatro cantos do país – ele está presente nas ilhas de Malta e Gozo. Os ônibus são confortáveis, tem Wi-fi e sinalização que mostra os próximos pontos de parada. Mas o grande problema do transporte público maltês é a logística. Muitas linhas tem ônibus de hora em hora e por isso eles estão quase sempre lotados – e quando eles lotam, o motorista não para no ponto, sendo necessário esperar o próximo ônibus que só vai passar daqui a uma hora! E é difícil prever se ele vai realmente sair no horário. As linhas são grandes e dão voltas e voltas até chegar ao destino final. Isso sem falar no trânsito que quase sempre está congestionado nas grandes avenidas. Com isso, uma simples ida até a cidade vizinha pode demandar tempo.

A passagem de ônibus custa 1,50€ e sobe para 2€ na alta temporada. O bilhete pode ser comprado na hora com o motorista e você pode pegar quantos ônibus quiser por até 2 horas.

Transporte público maltês
Terminal de ônibus em Valletta

Dependendo da cidade onde você se encontra, o transporte marítimo também pode ser uma opção, já que há muitos barcos e ferrys que ligam as cidades turísticas litorâneas de Malta e Gozo. O mesmo acontece com o acesso as ilhas de Gozo e Comino, que é feito em balsas (ferry) ou barcos turísticos – eles são baratos (nunca passam de 10€), confortáveis e tem boa variedade de horários.

Há também um ferry turístico que sai de Valletta em direção a ilha italiana da Sicília.

Típico barco turístico que faz a travessia entre Malta-Comino-Gozo
Principal porto turístico de Gozo

Para poupar tempo, uma opção é utilizar os ônibus turísticos da City Sightseeing Hop-On Hop-Off. Eles custam em média 18€ e percorrem as principais atrações de Malta e Gozo – em Gozo há uma única linha, já em Malta duas: uma faz o lado norte e outro o lado sul da ilha.

  • O que fazer em Malta?

Não se engane, Malta é pequena, mas tem muitas coisa pra ver e fazer. Há muitas praias, ilhas, trilhas, fortalezas, museus, igrejas e por aí vai.

A maioria das atrações estão concentradas na Ilha de Malta, por isso, reserve mais tempo para ela. Para os mais apressadinhos, Gozo e Comino podem ser visitadas em um único dia, mas se tiver tempo, reserve 1 dia para Comino e no mínimo 2 para Gozo.

  • Ilha de Malta:

Valletta

Mdina

 

Popeye Village

St. Julian´s e Sliema

St. Julian’s
Sliema

Saiba mais sobre Sliema aqui.

St. Peter’s Pool

As três cidades

Blue Grotto

Rotunda de Mosta

  • Ilha de Comino

Já a praia mais famosa de Malta – e a mais bonita que vi na vida –  fica na Ilha de Comino. Estou falando da Blue Lagoon, que como o próprio nome sugere, tem águas azuis de encher os olhos.

  • Ilha de Gozo

Para finalizar, não deixe de visitar a Ilha de Gozo, localizada ao norte do arquipélago. Com mais de 37 mil habitantes, a ilha preserva históricas cidades, templos megalíticos, monumentais igrejas, praias e formações rochosas de tirar o folego. Esse é também o melhor lugar para observar o típico estilo de vida maltês.

Victoria

Ramla Bay

Essa é uma das praias mais famosas de Gozo. Infelizmente o frio desse dia não estava muito propício para banhos

Santuário de ta’ Pinu

O santuário dominando o horizonte de Gozo

Dwejra Bay

Olha eu onde ficava a Janela Azul (local onde foram gravadas cenas de Game of Thrones e O Conde de Montecristo) e que colapsou em 2017 durante uma tempestade
A gente até tenta reconstruí-la, mas…….

Templos Megalíticos de Ġgantija

  • Quanto tempo ficar?

Olha, eu sou suspeito a falar pois voltei para o Brasil completamente apaixonado por Malta e com a impressão de que dois meses foram pouco tempo na ilha, até porque não consegui visitar tudo que eu queria, por incrível que pareça. Claro que durante uma viagem de férias, em 3 dias você consegue ver as principais atrações. Mas se você quer aproveitar as ilhas com calma e curtir ao máximo suas praias, reserve pelo menos uma semana.

  • Onde ficar?

O país é movimentado pelo turismo e por isso não faltam opções de hospedagem, que vão de simples albergues a resorts estrelados.

As hospedagens mais baratas ficam em cidades não litorâneas, principalmente no centro da ilha. Porém, acredito que o melhor seja ficar próximo ao litoral ou as principais atrações, afim de poupar tempo e dinheiro com locomoção.

St. Julian’s e Sliema concentram os principais pólos hoteleiros de Malta e são as regiões preferidas pelos jovens (principalmente os baladeiros) e pelos intercambistas. Em compensação, os preços são mais elevados. O mesmo acontece com Valletta, que apesar de ser mais calma, tem preços altos.

Hotéis e edifícios residenciais em Sliema

Msida, Birkirkara, San Gwann, Mosta, St. Paul’s Bay, Mellieha e Bugibba são opções interessantes de hospedagem na ilha de Malta. Já em Gozo, apesar da oferta de hospedagens ser menor, as melhores cidades são Victoria, Marsalforn e Xlendi.

Xlendi
Fazendo trilha em Paradise Bay na cidade de Mellieha: a região tem grande concentração de hotéis
Paradise Bay na cidade de Mellieha: a região tem grande concentração de hotéis
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