Floriana (em maltês Il-Floriana ou Il-Furjana) é uma pequena cidade histórica com uma população de cerca de 2 000 a 2 600 habitantes, Floriana é um dos principais centros históricos de Malta, apesar de ainda ser pouco conhecido pelos visitantes.

Localizada ao lado de Valletta, Floriana muitas é apenas local de passagem para quem vai para a capital, mas guarda atrações interessantes como antigas muralhas, igrejas históricas e parques.


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Um pouco da história
A origem de Floriana está ligada à história militar de Malta. No século XVII, quando os Cavaleiros da Ordem de São João procuravam reforçar as defesas da recém-construída Valletta, o Grand-Mestre Antoine de Paule trouxe o engenheiro militar italiano Pietro Paolo Floriani para projetar um complexo sistema de fortificações conhecido como Floriana Lines.

Essas muralhas, erguidas entre 1634 e 1721, formaram uma linha defensiva estratégica que protegia Valletta dos ataques pelo interior da ilha. À medida que as fortificações avançavam, a área entre elas e os muros da capital começou a se desenvolver como um subúrbio, crescendo até tornar-se a cidade que conhecemos hoje.

O nome “Floriana” vem justamente de Floriani, em homenagem ao engenheiro responsável pelas defesas. O nome original, porém, era Borgo Vilhena, dado em honra do Grand-Mestre António Manoel de Vilhena, mas caiu em desuso até virar oficialmente Floriana.
Atualmente, a cidade desempenha papel importante não apenas como local histórico, mas também como centro administrativo, abrigando ministérios e instituições estatais maltesas.


O padroeiro da cidade é São Publius, considerado o primeiro bispo de Malta, figura central da devoção local e tema de festas e celebrações anuais.
Floriana também tem tradição esportiva, sendo sede do Floriana Football Club, um dos clubes de futebol mais antigos e bem-sucedidos do país.

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Principais atrações
Apesar de pequena, Floriana oferece uma mistura interessante de história militar, espaços verdes e cultura viva. Vamos conhecer o que a cidade tem a oferecer? 😍
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Porte des Bombes
Vamos começar as nossas andanças por Floriana pela principal entrada da cidade, a Porte des Bombes. Construída no século XVIII, durante o domínio dos Cavaleiros da Ordem de São João, ele fazia parte do sistema defensivo das Floriana Lines.
O conjunto é formado por dois portões monumentais com arcos de pedra e elementos decorativos clássicos, criados para controlar o acesso terrestre à capital e reforçar a segurança da cidade. Além da função militar, a Porte des Bombes também simbolizava poder e imponência para quem chegava a Valletta.

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Capela de Nossa Senhora de Lourdes
Uma das menores igrejas de Floriana, a capela dedicada a Nossa Senhora de Lourdes é conhecida pela simplicidade e devoção local.

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Tal-Kapuccini
Bem ao lado da Capela de Lourdes fica a Tal-Kapuccini, um conjunto religioso construído entre os séculos XVII e XVIII que abriga o Convento e à Igreja dos Frades Capuchinhos. O nome vem justamente da presença da ordem dos Capuchinhos, conhecida por seu estilo de vida austero e próximo da comunidade.

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Monumento a Pietro Paolo Floriani
O Monumento a Pietro Paolo Floriani e a praça ao seu redor homenageiam o engenheiro militar italiano responsável pelo projeto das Floriana Lines, o sistema de fortificações que deu origem à cidade.
Floriani foi convidado para Malta no século XVII pelos Cavaleiros da Ordem de São João para reforçar as defesas de Valletta contra ataques terrestres.

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Fonte do Leão
Esse elegante chafariz histórico do século XVIII foi construído durante o período dos Cavaleiros da Ordem de São João e tinha função prática: abastecer a população com água, algo essencial para uma cidade cercada por muralhas e fortificações.

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Pjazza San Publju
Essa é uma das maiores praças de Malta e também uma das mais simbólicas. Conhecida popularmente como The Granaries, ela abriga antigos silos subterrâneos de grãos, construídos para garantir o abastecimento da ilha em períodos de crise e cerco.
Hoje, a praça é um importante espaço público e cultural, palco de grandes eventos, concertos e celebrações nacionais, incluindo o famoso Isle of MTV, onde se apresentaram artistas pop como Lady Gaga e Maroon 5.

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Igreja Paroquial de São Publius
Dedicada ao padroeiro da cidade, segundo a tradição, São Publius foi o primeiro bispo da ilha, convertido após o naufrágio de São Paulo em Malta, no século I.

A igreja atual, em estilo barroco, foi construída no século XVIII e se destaca pela fachada imponente e pelo interior decorado, com altares trabalhados e pinturas sacras
Ganha muito destaque durante a festa de São Publius, celebrada anualmente com procissões e celebrações.

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Knisja ta’ Sarria
Também conhecida como Igreja de Nossa Senhora de Sarria, é uma das construções mais diferentes da cidade, por causa de seu formato circular e influência da arquitetura renascentista italiana.
Construída no século XVII, a igreja foi erguida em agradecimento à Virgem Maria após o fim de uma epidemia de peste e, por isso, carrega um simbolismo profundo de fé, proteção e devoção popular.

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Robert Samut Hall
O Robert Samut Hall é um importante espaço cultural e musical de Malta, conhecido tanto pela sua acústica de alta qualidade quanto pela sua história singular.
O edifício foi construído no final do século XIX e originalmente funcionava como uma igreja metodista, refletindo a presença britânica na ilha.

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Floriana Lines e Fortificações
As Floriana Lines são um dos maiores complexos defensivos de Malta e conforme falei no comecinho do post, foram projetadas inicialmente pelo engenheiro militar italiano Pietro Paolo Floriani como uma linha externa de defesa composta por bastiões, fossos, rampas e muralhas.


Hoje, as muralhas permanecem como um dos melhores exemplos da arquitetura militar dos Cavaleiros da Ordem de São João e fazem parte da paisagem urbana da cidade, oferecendo bonitas vistas da região.
A melhor forma de conhecer as Floriana Lines é caminhar sem pressa por Floriana, observando como as fortificações se misturam à cidade atual.


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Monumento a António Manoel de Vilhena
O Monumento ao Grão-Mestre António Manoel de Vilhena homenageia um dos líderes mais importantes da Ordem dos Cavaleiros de São João. Vilhena governou Malta no início do século XVIII e teve papel fundamental no desenvolvimento urbano e defensivo da região.

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Triq Sant’Anna
A Triq Sant’Anna é a principal avenida de Floriana, muito movimentada justamente por ligar Valletta as demais cidades da região.
A rua acompanha o traçado das antigas fortificações e concentra edifícios históricos e instituições públicas, sendo uma das mais bonitas de Malta.


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Wignacourt Water Tower
Essa torre é uma estrutura histórica ligada ao Aqueduto Wignacourt, um dos projetos de engenharia mais importantes da Malta do século XVII. Construída durante o governo do Grão-Mestre Alof de Wignacourt, a torre fazia parte do sistema que levava água potável desde as nascentes de Dingli até Floriana e Valletta.

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Memorial da Guerra
Esse é um dos monumentos mais importantes de Malta dedicados à memória dos que perderam a vida em conflitos armados, especialmente durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.
Localizado em uma área simbólica próxima às fortificações, o memorial presta homenagem aos soldados e civis malteses, além das forças aliadas, que tiveram papel crucial na defesa estratégica de Malta, que foi uma das ilhas mais bombardeadas durante a II Guerra Mundial.

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Argotti Botanic Gardens
Os Argotti são um dos jardins botânicos mais antigos de Malta, criados no século XVIII originalmente com uma função científica e educativa, ligados ao estudo da botânica e à aclimatação de plantas exóticas na ilha.
O espaço reúne uma variedade de plantas mediterrâneas, tropicais e suculentas, além de áreas em terraços que proporcionam vistas panorâmicas do Grand Harbour e das Three Cities.



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Malta Botanic Gardens
Os Maglio Gardens, oficialmente conhecidos como Malta Botanic Gardens, são um dos jardins públicos mais populares de Malta. Criados no século XIX, eles foram pensados como um espaço de lazer urbano, combinando paisagismo, áreas sombreadas e muitos monumentos.
Diferente dos Argotti Gardens, que têm um perfil mais científico, os Maglio Gardens são perfeitos para passear com a familia e relaxar em meio as árvores.



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Como chegar em Floriana
Chegar a Floriana é bem fácil, já que ela fica colada em Valletta, a capital de Malta. Veja as principais formas:
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A pé (desde Valletta)
Floriana começa logo após os portões de Valletta. A caminhada leva 5 a 10 minutos, passando pela Porte des Bombes ou pelas áreas próximas às fortificações. É a forma mais prática para quem já está explorando a capital maltesa.
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De carro
Floriana é bem conectada por vias principais da ilha. Há estacionamentos públicos, mas podem ser limitados em horários de pico ou dias de eventos.

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De ônibus
O principal terminal de ônibus de Malta fica localizado em Floriana, bem ao lado dos portões de Valletta, o Floriana Bus Terminus. Para chegar ali, a maioria dos ônibus passam por Floriana.
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Quando ir à Malta?
Por ser uma ilha mediterrânea, Malta é conhecida por seu clima ameno, bem típico da região, com temperaturas variando entre 8 e 16 graus no inverno e de 25 a 30 no verão, que vai de junho a agosto.
Durante o verão, que é a alta temporada, a temperatura em Malta pode facilmente chegar aos 40 graus e a probabilidade de chuva é quase nula. Porém, por ser período de férias, o arquipélago fica lotado de turistas, o que também encarece a viagem – o país que tem pouco mais de 400 mil habitantes chega a ter quase 2 milhões durante esse período.
A minha estadia em Malta foi entre fevereiro e março. Como era finalzinho de outono e início de primavera, peguei muitos dias instáveis, com grande variação de temperatura – amanhecia chovendo, esfriava, saia o sol, esquentava, voltava a chover, etc. Isso sem falar nos ventos gelados e fortes de alguns dias e que me destruiu dois guarda chuvas em uma semana – sim, o vento na ilha é surreal.
Mesmo assim, a maioria dos dias nesses dois meses foi de sol e temperaturas em torno de 12 graus – só consegui aproveitar o calor e praia tão típicos da ilha em minha última semana, no final de março.
Com isso, acredito que os melhores meses para visitar Malta sejam entre o final de abril e começo de junho, onde as temperaturas estão altas (mas nem tanto) e o número de turistas é menor.

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