Viagem por Gramado e Canela: visita guiada pela Vitivinícola Jolimont

A Serra Gaúcha é a maior produtora de vinhos do Brasil e entre as inúmeras propriedades da região de Gramado e Canela, a Vitivinícola Jolimont se destaca por ser uma das mais antigas e premiadas – prêmios esses conquistados no Brasil e no exterior.

Fundada em 1948 pelo imigrante francês Jacques Bierre, o nome Jolimont significa Belo Monte, nomenclatura bem significativa, considerando a linda região onde a vitivinícola está localizada. Aliás, essas belas paisagens, assim como boa parte de sua história podem ser conferidos na visita guiada + degustação oferecida pela Jolimont e que é um dos passeios mais legais para se fazer em Gramado e Canela.

  • O que é uma vitivinícola?

Curiosamente, a Jolimont não é uma vinícola e sim uma vitivinícola, mas afinal, qual a diferença entre elas? Pois bem, a vinícola é onde se produz o vinho, sem que necessariamente a produção da uva seja feita ali – nesse caso, a matéria prima é comprada de outros produtores. Já a vitivinícola é responsável por cultivar as uvas que serão utilizadas na própria produção de seus produtos. Isso, apesar de muitas vezes trazer limitações de produção, ajuda o produto a ser mais exclusivo.

Muitas vitivinícolas acabam preferindo ser chamadas de vinícolas, com o intuito de ter mais alcance, principalmente com o público que não sabe a diferença entre esses termos. A Jolimont, porém, faz questão de destacar essa questão.

Produção da Jolimont
As uvas produzidas no local

  • Onde fica:

Ao contrário do que muita gente pensa, a Jolimont não fica em Gramado, mas sim em Canela, na região do Morro do Calçado, bonita área verde da zona rural da cidade, há uma distância de apenas 7km do centro. Mas se você está hospedado na cidade vizinha, não se preocupe com a distância, pois são apenas 14km entre o centro de Gramado e a vitivinícola.

O endereço oficial é: Estrada Morro Calçado, 1420 – Morro Calçado, Canela – RS, 95680-000.

  • Como chegar:

Se você está no centro de Gramado, basta seguir a Avenida das Hortênsias, que liga as duas cidades, e seguir reto até o centro de Canela. Lá, siga pela Rua 7 de setembro até o seu final – assim que você passar pelo Cemitério Municipal, você entrará em uma estrada asfaltada, que é a Rodovia Arnaldo Oppitz.

Siga reto por mais alguns minutos (você passará em frente ao Alpen Park) até uma bifurcação e vire à esquerda, para entrar na Estrada do Morro do Calçado (há placas indicando a vitivinícola) e siga por mais alguns minutos até avistar a propriedade – antes, você passará em frente ao Queijos Chaulet.

A entrada da Jolimont vista da estrada do Morro Calçado

Para quem vem do centro de Canela, o caminho é o mesmo.

A estrada é muito bonita, cercada por muito verde e rende belas fotos. O sinal de internet não pega a partir de certo trecho da estrada, então já deixe o seu GPS na rota correta. Já lá na Jolimont, há Wi-fi em toda a propriedade.

 

A linda estrada que dá acesso a Jolimont
  • Valores:

A entrada na propriedade da Jolimont é gratuita, sendo possível visitar as parreiras e a loja da marca. Já a visita guiada + degustação, chamado de Tour do Vin e que dura entre 45 min. e 1h, varia de R$65 a R$90, de acordo com a taça personalizada escolhida para a degustação:

INGRESSO – Taça de Vidro
R$ 65,00
INGRESSO – Taça de cristal
R$ 90,00
INGRESSO – Meia Entrada
R$ 32,50

Pagamento em dinheiro, crédito ou débito.

Eu e o Dani, meu companheiro de viagem, escolhemos a taça de vidro.

As taças de vidro que ganhamos
  • Como é a visita guiada na Jolimont:

Começo dizendo que eu e o Dani encontramos a vitivinícola por acaso e que ela não estava nos nossos planos iniciais hehe. Isso porque devido ao nosso pouco tempo na cidade, havíamos planejado visitar algumas outras vinícolas mais próximas de onde estávamos hospedados em Gramado. Porém, como já estávamos em Canela e com certo tempo livre, fomos pesquisar algumas vinícolas que ficavam abertas até o final da tarde (era 1° de janeiro e muitas só abriram meio período naquele dia).

Eis que encontramos a Granja da Telha, outra tradicional da região, e decidimos seguir para lá. Mas quase chegando no nosso destino, ao invés de virarmos à direita na estrada, viramos à esquerda por engano e acabamos descobrindo a Jolimont hehe – o que foi uma grata surpresa.

Eu e o Dani

Chegamos lá por volta das 16h25 e conseguimos pegar o último tour guiado do dia, que aconteceria às 16h45. Estacionamos e fomos até a bilheteria, que fica localizada ao lado do estacionamento. Lá, compramos o ticket de entrada – entre as opções disponíveis, optamos pelo ingresso com a taça de vidro, como disse anteriormente – e recebemos uma ficha com a numeração que indicava o tour.

Bilheteria

Como ainda tínhamos algum tempo até o início do tour, demos uma volta pela propriedade para admirar as parreiras, que já estavam com uvas, assim como para apreciar as belas vistas do local, que é cercado por montanhas. Também há alguns bancos para descanso em frente a sala onde se inicia o tour.

Pessoal aguardando o início da visita guiada

Por volta das 16h50, o nosso grupo da visita guiada é chamado e nos reunimos para sermos apresentados ao simpático guia (infelizmente não lembro o seu nome 😢).

É obrigatório o uso de máscaras, devido aos protocolos de segurança da Covid-19. 

Depois, ele já começa a nos contar um pouco da estrutura da Jolimont. Atualmente, a marca tem algumas propriedades espalhadas pela Serra Gaúcha, sendo que a maior delas é essa do Morro do Calçado, com mais de 27 hectares de cultivo.

Por ser uma região alta, os quase 830 metros de altitude ajudam na maturação das uvas. Além disso, várias árvores frutíferas, como pitangueiras, estão plantadas ao redor das parreiras: elas, além de servirem como alimento para aves ao invés das uvas, também ajudam a identificar pragas, pois elas geralmente atingem essas árvores antes das próprias parreiras. Legal né?!

Ainda na entrada, o guia nos fala das inúmeras variedades de uvas que ali são cultivadas e nos mostra a espécie Tannat (há uma parreira ali mesmo onde podemos observar as uvas).

As uvas da entrada

Na sequência entramos na primeira instalação, onde o guia nos mostra os grandes tonéis que guardam o vinho e nos explica como eles são fabricados. A sala não é tão grande e como haviam cerca de 40 pessoas no tour, quem fica mais para o fundo pode ter certa dificuldade para ouvir as explicações. Ainda nessa sala, assistimos um vídeo de cerca de 3 minutos sobre a história da Jolimont, seus atuais proprietários e como os vinhos são produzidos e armazenados.

Até antes da Pandemia de Covid-19, nesse trecho do tour, os visitantes tinham uma imersão virtual com óculos que mostravam todo o cultivo e colheita das uvas, mas ainda não há previsão para que isso volte a ocorrer.

Bem ao lado fica um pequeno estúdio improvisado, onde somos convidados a tirar algumas fotos com as nossas taças, no qual diferentes cenários são colocados no fundo verde. Na hora, não entendi muito bem o porque dessas fotos e se elas seriam ou não disponibilizadas para nós, mas a versão impressa pode ser retirada nos caixas da expedição, no valor de R$30 cada. Também são vendidos combos de várias fotos impressas, assim como é possível ter todas as fotos em arquivo digital, por R$90 – achei carinho, então peguei só uma foto para não sair de mãos abanando hehe.

Depois seguimos para uma outra sala, onde finalmente iniciamos a degustação, desta vez dos espumantes Jolimont – eles são servidos na taça de recebemos ao comprar o ingresso. Ali, podemos escolher dois tipos, o Moscatel e o Brut, assim como nos foi explicado como eles são fabricados e a melhor forma de abrir as garrafas, com o intuito de ter a melhor degustação – eu optei pelo moscatel e posso afirmar que foi o mais gostoso que tomei na vida até então 😍. Não é a toa que esse Moscatel ganhou um prêmio em Paris na 23ª edição do VINALIES INTERNATIONALES.

Já estávamos felizes com os espumantes, mas nos dirigimos para uma outra sala, para continuar a degustação, desta vez dos vinhos. Degustamos 5 tipos de vinhos e fomos apresentados as diferentes linhas da Jolimont:

Dumonde Importados:
Malbec e Reserva Carménère

Querências do Sul:
Riesling, Arinarnoa e Sauvignon Blanc

Linha Reserva:
Chardonnay Barricado, Merlot, Pinot Noir, Tannat e Morro Calçado

Produtos Exclusivos:
Gran Reserva, Jolimont Intendente e Récolte Secrète

Linha Tradicional:
Cabernet Sauvignon (Demi-sec, suave, etc..), Chardonnay, Egiodola, Moscato Seco, Merlot, Tannat, Tinto Suave, Rosado Suave, Pinot Noir Rosé e Vinho Branco Suave

Além dos vinhos, que são deliciosos, também fomos apresentados as linhas de cervejas artesanais, licores e sucos da Jolimont (mas sem degustação). Já as crianças podem fazer a degustação de sucos.

Degustando os vinhos

Junto dos vinhos, um representante da Chaulet, famoso estabelecimento de queijos e doces caseiros que é vizinho da Jolimont, nos fez uma breve apresentação da marca e também fizemos degustação de alguns de seus produtos, como queijos e salames (que por sinal, são bem saborosos e são uma ótima combinação com os vinhos). Só a degustação dos queijos e vinhos leva cerca de 25 minutos.

Nosso guia, à esquerda, e o representante da Chaulet, à direita

Assim, terminamos o nosso tour. Saindo dessa última sala, aproveitamos o final da tarde para conhecer um pouco mais da propriedade, como um belo mirante localizado aos fundos e que rende boas fotos.

As belas paisagens do mirante

Também demos uma passada na loja da expedição, onde é possível encontrar todos os produtos da Jolimont. Porém, notei que o preço dos produtos ali vendidos são relativamente mais caros do que os das lojas da marca espalhadas pelo centro de Gramado.

Se você quiser comprar uma grande quantidade de produtos, eles fazem a entrega direto na sua residência, mediante cadastro feito na hora.

Loja da Jolimont na Expedição
Expedição
  • E no final, valeu a pena?!

Apesar do tour ter um preço superior a visitas guiadas de outras vinícolas da região, valeu muito a pena. A Jolimont mantém um nível de qualidade muito similar às vinícolas encontradas na famosa rota de Bento Gonçalves, oferecendo excelente infraestrutura e uma degustação bem farta, dinâmica e explicativa – com destaque para o simpático e comunicativo guia. Isso sem falar nas belezas naturais da propriedade, uma das mais bonitas da cidade.

Aliás, se você é apaixonado por vinhos, a Iza do Mundo Viajante tem um post super bacana falando sobre o que fazer em Bento Gonçalves.

  • Fontes:

  1. http://saboresdovinho.blogspot.com/2016/10/vinicola-ou-vitivinicola.html
  2. https://www.vinhosjolimont.com.br/

Rua Gonçalo de Carvalho em Porto Alegre, a mais bonita do mundo.

Roteiro de 3 dias em Curitiba.

Conheça a Adega e Cervejaria Galvão em Jundiaí.

Tour guiado pela Concha y Toro, uma das vinícolas mais famosas do Chile.

2 Respostas a “Viagem por Gramado e Canela: visita guiada pela Vitivinícola Jolimont

  1. Rafah,
    Boa Noite!!

    Parabéns pelo post, é exatamente tudo isso, um lugar incrível que vale a pena visitar! Obrigado pela cia de sempre!!! E bora-la programar a próxima viagem!

    😎 Daniel Castro

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