Salar de Uyuni: roteiro de 3 dias pelo Altiplano até o maior deserto de sal do mundo

Uma jornada inesquecível. É assim que eu descrevo o passeio de três dias até o Salar de Uyuni. E olha que mesmo assim é difícil explicar as sensações de apreciar pessoalmente as belezas dessa que foi a experiência mais exótica e inesquecível da minha vida de viajante até então.

Para quem não sabe, o Salar de Uyuni é o maior e mais alto deserto de sal do mundo, com mais de 10.000 km² e a mais de 3.600 metros acima do nível do mar. Composto de uma espeça crosta de sal, o Salar é tão grande a ponto de ser o único local natural brilhante que pode ser visto do espaço.

Nascer do sol no Salar

Localizado entre os departamentos de Potosí e Oruro, na Bolivia, há diversas maneiras de conhecer o Salar, como os famosos passeios bate-volta a partir de Uyuni, cidade base para conhecer o deserto. Mas, sem dúvidas, o passeio mais famoso e interessante é o tour de 3 dias do Salar de Uyuni até o Atacama – ou vice-versa – passando por inúmeros desertos, lagoas, montanhas, geysers e vulcões que formam as paisagens surreais do Altiplano boliviano. Há também a opção de voltar ao destino inicial, ou seja, Uyuni ou Atacama, em um trajeto de 4 dias.

Boa parte do Altiplano boliviano pertence a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, área de proteção ambiental criada em 1973 e que presta homenagem a Eduardo Avaroa (1838–1879), um herói de guerra boliviano do século XIX. Esse é o parque nacional mais famoso e visitado da Bolívia e oferece boa estrutura para os turistas – paga-se uma taxa para entrar na reserva (eu falo sobre isso mais a diante).

Um dos inúmeros vulcões da Reserva Nacional Eduardo Avaroa

Deserto Siloli
  • Quando ir?

Uma dica importante é programar sua viagem de acordo com a estação do ano. Isso porque ela pode interferir e muito nas paisagens e no trajeto que vai ser feito.

No verão, é possível encontrar o Salar completamente alagado devido as chuvas da temporada, o que proporciona o incrível reflexo do céu nas águas paradas do deserto. As temperaturas também são mais amenas – mas não se engane, as temperaturas são baixas  durante todo o ano devido a altitude. Porém, nesta época, é muito comum ocorrer tempestades aos finais da tarde, o que pode atrapalhar alguns passeios.

Já no inverno, o deserto está completamente seco e o tempo sempre aberto. A temperatura, porém, pode facilmente chegar ultrapassar os 10 graus negativos, principalmente a noite.

Eu fiz o tour em janeiro de 2017, em pleno verão boliviano e não me arrependo, pois ver o Salar alagado é uma das coisas mais lindas desse mundo *_*.

Acredite, esse é o nascer do sol no Salar alagado e aquele pontinho preto sou eu
  • Fechando o passeio

Eu estava em San Pedro de Atacama, norte do Chile, e a minha primeira aventura foi decidir com qual agência ir – são inúmeras e que oferecem trajetos, hospedagens e preços diversos – então é preciso pesquisar bastante.

Passei por 5 agências até fechar com a Colque Tours (localizada na Calle Caracoles). O pacote custou 100 mil pesos chilenos (algo em torno de R$500,00 na cotação da época) e incluía transporte compartilhado entre os dois países com várias paradas em pontos turísticos, duas estadias em hotéis de categoria simples e 3 refeições bem completas e saborosas (café da manhã, almoço e jantar).

Calle Caracoles em San Pedro de Atacama, onde compramos o tour para o Salar

Essa agência de turismo tem unidades tanto em San Pedro quanto em Uyuni e tem um atendimento bem legal, apesar de ter vendido algumas informações erradas – no folheto dizia que passaríamos a segunda noite hospedados no Hotel de Sal, o que não ocorreu. Já nossos companheiros de viagem compraram o pacote com um guia bilíngue, o que também não aconteceu.

O mesmo passeio também é vendido na Bolívia por preços bem mais vantajosos, considerando que a moeda é mais em conta, fazendo o trajeto inverso do que eu fiz.

  • Dia 1: Imigração, lagunas e geysers

Como já programado, a viagem começou logo pela manhã. Por volta das 7h30 uma van conveniada à agência me pegou em frente ao hostel e me levou até um restaurante para tomar café da manhã (muito bom por sinal). Lá, conheci meus companheiros de viagem: Anja e Cindy, ambas da Suíça, o Cédrick do Canadá e o Dan, do Brasil. Como disse anteriormente, o passeio é feito em carros estilo 4X4, que são compartilhados e tem capacidade para até 6 pessoas (mas também existe a opção de tour privativo). Por sorte, nossos companheiros de viagem eram super legais, já que passar 3 dias com gente chata não dá né ?! hehe

Depois de uma hora e meia no restaurante (o guia estava atrasado), entramos novamente na van e fomos até a imensa fila da imigração chilena. Depois de quase uma hora, já com o passaporte carimbado, voltamos para a van e seguimos até divisa com a Bolívia, onde fica a imigração boliviana – é uma pequena casinha cercada por várias montanhas. Aqui,  trocamos de carro e fomos apresentados ao nosso guia Victor, um boliviano muito simpático e gente boa, que adora musica brasileira e que morre de vontade de conhecer o Brasil =)

Imigração boliviana

Bolsas e malas são amarradas na parte superior do carro e cobertas por uma lona de plástico para protege-las, por isso é sempre bom levar seus objetos de mais valor dentro do carro, em uma pequena bolsa.

Esperando o carro ser preparado para o tour
Fronteira Chile-Bolívia

Carro pronto, fomos levados até a entrada da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa. Para acessá-lo é necessário pagar uma taxa de 150 bolivianos e que não está incluso no pacote.

Eles lhe entregam um bilhete que é necessário devolve-lo no dia seguinte, quando estiver saindo da Reserva, então tome cuidado para não perde-lo. É bom também levar alguns bolivianos em espécie para utilizar os banheiros do parque (que são pagos) ou comprar alguma coisa para comer nas paradas que são realizadas ao longo do trajeto.

Passando a pequena guarita, começamos de vez o nosso tour *__*

Nesse dia visitamos:

  • Laguna Blanca

A primeira parada do passeio já impressiona: o lago está a uma altitude de 4.350 metros e sua cor é causada pela grande quantidade de minerais em suspensão nela.

  • Laguna Verde

Localizado ao lado da Laguna Blancae aos pés do vulcão Licancabur, um dos mais altos do país, a Laguna Verne (que para mim parece azul hehe) é a mais bonita das que vi durante a viagem. É impressionante a cor de sua água.

  • Termas de Polques

Essas termas em meio ao deserto são um dos pontos mais famosas da Reserva e haviam muitos turistas lá. As águas quentes das termas formam um interessante contraste com as baixas temperaturas do local (apesar que não estava tãoooooo frio naquele momento, pois era quase meio dia já).

Antes de entrar nas termas, paga-se uma pequena taxa para manutenção e é possível  se trocar em uma pequena casinha em anexo – essa casinha é bem simples e um pouco suja e quase não há infraestrutura ali. Essa parada durou cerca de 30 minutos.

  • Geysers Sol de Mañana

Esse lugar encanta e ao mesmo tempo assusta, pois é uma área caracterizada por intensa atividade vulcânica e o campo de nascentes de enxofre está cheio de lagos de lama e piscinas de vapor com lama fervente – imagina cair dentro de um desses poços?! OMG. O cheiro de ovo podre também é bem forte ali.

  • Laguna Colorada

A cor intensa desse lago é causada por sedimentos vermelhos e pigmentação de algumas algas que são endêmicas em suas águas. Essa também é a melhor laguna para se observar flamingos, em especial os da espécie James.

Olha eu na Laguna Colorada

Na volta da laguna Colorada começou a chover granizo do nada e a temperatura caiu bastante – o chão ficou tão branquinho que parecia neve hehe.

Já no final da tarde, seguimos para o nosso refúgio da noite, uma pequena hospedaria no meio das montanhas, a quase 5 mil metros de altitude. Esse é um dos pontos mais altos do país e devido ao mal de atitude é muito comum os turistas terem dificuldades para dormir nessa primeira noite.

O refúgio é bem simples, sem água quente e os geradores que fornecem a eletricidade são desligados por volta das 9h para não sobrecarregá-los. Os quartos também são compartilhados e cada grupo fica em um quarto.

O jantar servido foi delicioso e um pouco antes da luz ser desligada ficamos jogando baralho com nosso grupo de gringos para nos distrair.

Também foi nosso primeiro dia sem tomar banho haha, já que ninguém teve a coragem de enfrentar um banho gelado com aquele frio – sim, a água da ducha é fria.

Hospedagem da 1° noite: refúgio a quase 5 mil metros de altitude
  • Dia 2: desertos e mais desertos

Acordamos cedo, tomamos um café da manhã reforçado e seguimos para o dia mais longo da tour, onde visitamos:

  • Deserto Siloli

Esse deserto é considerado um dos mais áridos do mundo e é cercado por belas montanhas. É também um ótimo lugar para fazer fotos criativas.

  • Árbol de Piedra

Esculpida pelo vento durante milhões e milhões de anos, a árvore de pedra tem quase 7 metros de altura e provavelmente cairá em alguns anos devido ao peso da parte superior. Eu, claro, aproveitei para registrar o momento. A “árvore” faz parte do Deserto de Siloli.

Formações rochosas ao redor da árbol de piedra
  • Deserto Salvador Dalí

Essa parada para fotos acontece nessa região chamada de Vale de Dalí ou Deserto Salvador Dalí, nome esse dado ao deserto, pois, dependendo da posição do sol, o paisagens do lugar lembram as pinturas surrealistas do pintor espanhol.

Bichinho no deserto
  • Laguna Honda

Localizada a cerca de 4.114 metros, essa é uma das lagoas mais lindas do roteiro *_*

Laguna Honda
  • Laguna Hedionda

Hedionda literalmente significa fedorenta em espanhol e nome melhor que esse não há, pois o cheiro de ovo podre é forte hehe. De qualquer forma, a beleza do lugar compensa qualquer coisa.

Laguna Hedionda: tem esse nome deve ao forte cheiro do gás sulfúrico e que mais parece ovo podre

  • OUTRAS LAGUNAS ALTIPLÂNICAS

Depois visitamos algumas outras lagoas desse conjunto, mas infelizmente não lembro seus nomes.

A última lagoa que visitamos: não lembro o nome

As lagoas altiplânicas também são um ótimo lugar para se admirar a fauna local, em especial os lindos flamingos <3

  • Vilarejo de Alota

Esse vilarejo situado no meio do deserto tem pouco mais de 600 habitantes e fica localizado a uma altura de 3.828 metros acima do nível do mar. Foi aqui que fizemos uma parada para o almoço de cerca de uma hora – o almoço é simples, mas suculento e é servido em uma pequena casa no centro da vila.

  • Cidade de San Cristóbal

Depois de Alota, fizemos uma parada de 30 minutos nessa pequena cidade mineradora – ali fica a San Cristóbal S.A., uma das maiores empresas de minérios do país e a responsável por movimentar a economia local. Nessa parada demos uma volta pelo centrinho da cidade e visitamos a igreja, a praça central e sua feira de artesanatos e algumas lojinhas.

  • Cemitério de trens

Depois de San Cristóbal, seguimos para o famoso Cemitério de Trens, localizado nas proximidades da cidade de Uyuni – sinal que já estamos próximos do Salar <3

Esse cemitério de trens foi formado a partir de vagões abandonados que faziam parte da primeira linha férrea da Bolívia e que ligava Uyuni a Antofagasta, no Chile.

Depois, seguimos até a cidade de Uyuni, onde fomos alocados em um hotel no centro, em uma ótima localização.  Com quartos individuais e Wi-fi, o hotel novamente não tinha água quente na ducha haha. Para quem se interessar, o hotel se chama Kutimuy e as diárias custam 100 bolivianos por pessoa (mas achei caro para o padrão da cidade).

  • Dia 3: finalmente o Salar

Acordamos antes das 4 da manhã e seguimos até o ponto alto de todo o passeio, o incrível Salar de Uyuni. Por ser temporada de chuvas, parte do deserto estava alagado o que me proporcionou a paisagem mais linda que vi na vida! É FANTÁSTICO, SENSACIONAL, MARAVILHOSO ver o nascer do sol refletido no salar alagado, algo que não tem explicação, fiquei arrepiado e emocionado. Sério, é demais !!!

Ah, não deixe de tirar fotos criativas aqui 😉

Nascer do sol na Salar

Ficamos aproximadamente 1h30 no local até o sol nascer completamente. Depois, seguimos de van até o famoso Hotel de Sal, localizado no meio do Salar. Como o próprio nome diz, ele é quase todo feito de sal e lá dentro funciona também um restaurante. Pelo que entendi, a construção atualmente funciona como museu e centro de apoio aos visitantes. Foi ali que tomamos o café da manhã do dia. A parada foi de aproximadamente 1h30.

Hotel de Sal

Ali próximo se localizam o Monumento Dakar Ralin e o Monumento das Bandeiras, paradas obrigatórias para fotos.

Monumento Dakar Rali
Monumento das Bandeiras

Depois, ganhamos algumas horas livres. Como apenas parte do deserto estava alagado, aproveitamos a parte seca para tirar inúmeras fotos de perspectiva, atividade obrigatória para quem visita o Salar de Uyuni. É demais!

Depois de tirar várias fotos, fomos levados até uma tradicional feira de artesanatos que fica bem na entrada do Salar de Uyuni, onde a maioria dos produtos são feitos de sal. Lá também fica o Museu do Sal. Essa parada foi de aproximadamente 30 minutos. Depois voltamos para a cidade de Uyuni.

Com isso, chegava ao fim nosso tour pelo deserto e nosso grupinho iria se separar. O Cédrick iria voltar para San Pedro, a Cindy iria para Sucre e a Anja seguiria comigo e o Dan até La Paz naquela mesma noite. Mas antes demos uma volta na cidade de Uyuni para conhecer melhor a cultura boliviana. A cidade em si é bem bagunçada, mas a região da Plaza Arce é interessante (cheia de pubs e restaurantes que ficam repletos de turistas).

Da esquerda para a direita: Dan, Cédrick, Anja, VIctor, Cindy e eu: turminha multicultural no Salar

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4 Respostas a “Salar de Uyuni: roteiro de 3 dias pelo Altiplano até o maior deserto de sal do mundo

    1. Olá Edivania,
      Fico muito feliz com seu comentário.
      O Salar de Uyuni está no topo dos lugares mais fascinantes que já visitei *_*.

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