Os encantos de Higienópolis: o que ver e fazer no tradicional bairro paulistano

Recentemente, Higienópolis, tradicional bairro de São Paulo, virou manchete nos jornais de todo o país graças ao podcast “A mulher da casa abandonada”, de Chico Felitti, que conta a história de uma senhora que mora sozinha em uma decadente mansão do bairro e que tem o passado marcado por um crime brutal: ela e seu marido mantiverem uma funcionária em situação análoga à escravidão por mais de 20 anos nos Estados Unidos!

Rapidamente, o podcast ganhou fama nacional e a casa em Higienópolis onde essa senhora passou a morar após ter voltado ao Brasil acabou se tornando ponto de parada para curiosos que querem conhecer de perto o local tão falado no podcast.

A casa abandonada
A casa abandonada

Mas quem pensa que Higienópolis se resume apenas a casa abandonada, está muito enganado. Há vários pontos interessantes para se visitar nesse que é um dos bairros mais antigos e arborizados de São Paulo, a começar pela sua história.

História

Higienópolis surgiu a partir de um empreendimento dos empresários alemães Martinho Bouchard e Victor Nothmann, que lotearam as terras que pertenciam a Companhia de Jesus para a elite paulistana. Chamado de Boulevard Bouchard, o empreendimento foi lançado em 1895.

Localizado em uma região alta e longe de córregos e rios, o risco de alagamentos e, consequentemente, de doenças era bem menor que em outras regiões da cidade. Além disso, esse foi o primeiro bairro de São Paulo a ter saneamento básico, com sistema de esgoto e fornecimento de água. E foi justamente disso que veio o nome Higienópolis: que literalmente significa cidade da higiene.

Em sua primeira fase, as vias do bairro homenagearam as filhas de três importantes nomes da da época: Maria Angélica de Souza, filha do Barão de Sousa Queirós, Maria Antônia da Silva Ramos, filha do Barão de Antonina, e Veridiana da Silva Prado, filha do Barão de Iguape. Essas ruas atualmente são a Avenida Angélica, a Rua Maria Antônia e a Rua Dona Veridiana. E essas e outras ruas que foram surgindo depois rapidamente foram ocupadas por luxuosos palacetes da elite paulista, em especial os barões do café que fugiam da febre amarela que atingiu Campinas no final do século XIX e também os antigos aristocratas que viviam em Campos Elísios, o primeiro bairro nobre de São Paulo.

Já a partir da década de 1930, o perfil de Higienópolis começa a mudar, com a construção do primeiro prédio, o Edifício Alagoas, de 1933. Desde então, a verticalização de Higienópolis não parou mais e luxuosos e espaçosos edifícios foram construídos, com destaque para os projetos de renomados arquitetos modernistas como Rino Levi, Artacho Jurado e Villanova Artigas.

Apesar dessa mudança, Higienópolis continuou sendo um espaço da elite e até hoje figura entre os bairros mais luxuosos e caros do Brasil.

Tradicional rua do bairro: luxuosos edifícios e muito verde
Onde comer:

Higienópolis tem boas opções gastronomicas, com bares e restaurantes famosos. Boa parte do “fervo” do bairro está ao redor da Praça Vilaboim, onde se localizam o Havanna Café, o Paris 6, o italiano Vicoboim e o Bar da Praça.

Comércio ao redor da Praça Vilaboim

Na avenida Higienópolis também há outras opções bacanas, principalmente na praça de alimentação do Shopping Pátio Higienópolis.

Shopping Pátio Higienópolis

Mas é ao lado do shopping, em um histórico casarão de dois andares, que está o meu lugar preferido no bairro: a unidade do Le Pain Quotidien, misto de padaria e restaurante com pratos que variam de R$40 a R$60 e que são uma delícia! (isso sem falar no ambiente super charmoso).

Os pratos do Le Pain Quotidien
O que visitar:
  • Praça Vilaboim

Nada melhor do que começar o nosso roteiro pelo coração do bairro, a Praça Vilaboim. De traçado triangular, a arborizada praça é delimitada pelas ruas Armando Penteado, Aracaju, Tinhorão e Piauí, de onde veio o seu primeiro nome, Largo do Piauí. Já na década de 1930, após obras de urbanização, a praça passou a se chamar Vilaboim, em homenagem ao professor e político Manuel Pedro Vilaboim. Desde então, a área ao redor se tornou uma das mais populares do bairro, sendo possivel encontrar várias opções gastronômicas, como disse acima.

A praça, que tem um playground e vários bancos para descanso, é tombada como patrimônio histórico da cidade pelo CONPRESP.

  • Avenida Higienópolis

Uma das principais vias do bairro, a avenida de 1,1 quilômetro tem ao longo de sua extensão grandiosos palacetes, prédios residenciais de luxo, marcos modernistas como o Edifício Bretagne, o Colégio Nossa Senhora de Sion (projetado por Ramos de Azevedo) e o popular Shopping Pátio Higienópolis.

Edifício na Av. Higienópolis

  • Edifício Louveira

Higienópolis é lar de importantes representantes da arquitetura moderna paulistana, mas poucos são tão icônicos quanto o Edifício Louveira. Projetado em 1946 pelo arquiteto João Batista Vilanova Artigas em parceria com Carlos Cascaldi, o edifício foi encomendado pelos irmãos Alfredo, Lia e Esther Mesquita, do jornal O Estado de São Paulo, como uma forma de diversificar os negócios da família.

Composto de duas torres com 31 apartamentos no total, o Louveira inovou ao ter elementos da arquitetura racionalista e moderna, tendo em seu centro, um jardim com rampas que interligam os blocos e que dão acesso a rua (o edifício até hoje permanece sem muros ou grades ao redor, permitindo a total circulação de pedestres). Os jardim também se conectam com as árvores da Praça Vilaboim.

Jardins do Louveira

  • Parque Buenos Aires

Principal área verde do bairro, o Parque Buenos Aires surgiu como uma praça em meados de 1913 com o nome de Higienópolis. Mas foi só em 1988 que o local foi transformado em Parque Buenos Aires, ganhando um novo paisagismo.

O parque também é um museu a céu aberto, pois abriga inúmeras esculturas:
“O Tango”, de Roberto Vivas;
“Veado Atacado” e “Leão Atacado”, que vieram da França;
Réplica de “Emigrantes”, de Lasar Segall;
Busto de Bernardino Rivadávia, de 1945, do escultor J.C. Oliva e que foi uma homenagem da comunidade brasileira que vivia na Argentina;
Réplica da obra “Milon de Crotona”;
“Nascer”, de Daisy Nasser;
“Mãe”, de Caetano Fraccaroli, que ganhou um prêmio nacional sobre o tema maternidade em 1964.

Réplica da obra “Milon de Crotona”

Busto de Bernardino Rivadávia
  • Casarão de Nhonhô Magalhães

Localizada em uma das esquinas da Avenida Higienópolis, essa é uma das casas mais belas e imponentes do bairro. Foi construída entre 1927 e 1939 para abrigar a família do Barão Carlos Leôncio Magalhães, um dos cafeicultores mais poderosos de São Paulo e que era conhecido como Nhonhô Magalhães. A família residiu ali até 1948.

De estilo eclético, inspirado nos palacetes franceses do século XIX, o casarão rapidamente ganhou fama de ser amaldiçoado, já que Nhonhô faleceu antes de ver a sua futura casa pronta, em 1931. Além disso, dois de seus oito filhos morreram no interior da casa: um deles na banheira e o outro enforcado em um lustre de uma das salas.

Já em 1974, passou a sediar a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e desde 2005, pertence ao seu vizinho Shopping Pátio Higienópolis, que restaurou o local.

Histórias a parte, tamanha a sua importância, o casarão foi tombado como patrimônio histórico pelo CONPRESP e pelo CONDEPHAAT, órgãos patrimoniais da cidade e do estado de São Paulo, respectivamente, em 1994.

  • Instituto Italiano de Cultura de São Paulo

Fundado em 1945 com o objetivo de preservar a cultura italiana na cidade, o instituto é um órgão oficial do governo italiano e realiza, ao longo do ano, inúmeros eventos como feiras, concertos, amostras de arte e apresentações teatrais. Também mantém uma rica biblioteca com edições raras.

  • Centro Histórico e Cultural Mackenzie

O CHCM tem como objetivo preservar a memória da Universidade Mackenzie, mantendo um acervo físico e digital de sua história, assim como incentivando a cultura e a arte. O espaço cultural é mantido no mais antigo prédio da universidade e que foi construído entre 1894 e 1896 para abrigar a Escola de Engenharia.

Um dos monumentos do jardim do espaço cultural
  • Teatro e museu da FAAP

Criada em 1947, a Fundação Armando Alvares Penteado é uma das mais respeitadas instituições de ensino superior do país e mantém importantes espaços culturais em São Paulo, como é o caso do Museu de Arte Brasileira e do Teatro FAAP, ambos localizados em um imponente prédio do campus de Higienópolis.

Fundado em 1961, o Museu de Arte Brasileira da FAAP tem um rico acervo com mais de 3 mil peças que incluem artistas consagrados do movimento modernista, como DiCavalcanti, Candido Portinari, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Victor Brecheret e Lasar Segall. Também fazem parte do acervo um conjunto de réplicas do barroco brasileiro; um conjunto de coloridos vitrais formado por 216 quadros de artistas como Tarsila e Portinari e que é autoria de Claudia Andujar; e um jardim de esculturas que incluem obras de Bruno Giorgi.

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