Salar de Uyuni: roteiro de 3 dias do Atacama ao Deserto de Sal boliviano

Uma jornada inesquecível. É assim que eu descrevo o passeio de três dias até o Salar de Uyuni. E olha que mesmo assim é difícil explicar as sensações de apreciar pessoalmente as belezas dessa que foi a experiência mais exótica e inesquecível da minha vida de viajante até então.

Para quem não sabe, o Salar de Uyuni é o maior e mais alto deserto de sal do mundo, com mais de 10.000 km² e a mais de 3.600 metros acima do nível do mar. Composto de uma espeça crosta de sal, o Salar é tão grande a ponto de ser o único local natural brilhante que pode ser visto do espaço.

Nascer do sol no Salar

Localizado entre os departamentos de Potosí de Oruro, na Bolívia, há diversas maneiras que conhecer o Salar, como os famosos passeios bate-volta a partir de Uyuni, cidade base para conhecer o deserto. Mas, sem dúvidas, o passeio mais famoso e interessante é o tour de 3 dias do Salar de Uyuni até o Atacama – ou vice-versa – passando pela inúmeros desertos, lagoas, montanhas, geysers e vulcões – também há a opção de voltar ao destino inicial, em um trajeto de 4 dias.

Um dos inúmeros vulcões da Reserva Nacional Eduardo Avaroa

Deserto Siloli

Uma dica importante é programar sua viagem de acordo com a estação do ano. Isso porque ela pode interferir e muito nas paisagens e no trajeto que vai ser feito.

No verão, é possível encontrar o Salar completamente alagado devido as chuvas da temporada, o que proporciona o incrível reflexo do céu nas águas paradas do deserto. As temperaturas também são mais amenas – mas não se engane, as temperaturas são baixas todo o ano devido a altitude. Porém é muito comum ocorrer tempestades aos finais da tarde, o que pode atrapalhar alguns passeios.

Já no inverno, o deserto está completamente seco e o tempo sempre aberto. A temperatura, porém, pode facilmente chegar ultrapassar os 10 graus negativos, principalmente à noite.

Eu fiz o tour em janeiro de 2017, em pleno verão boliviano e não me arrependo, pois ver o Salar alagado é uma das coisas mais lindas desse mundo 😃.

Acredite, esse é o nascer do sol no Salar alagado e aquele pontinho preto sou eu
  • Fechando o passeio

Eu e o Dan, meu companheiro de mochilão, estávamos em San Pedro de Atacama, norte do Chile, e a nossa primeira aventura foi decidir com qual agência ir – são inúmeras e que oferecem trajetos, hospedagens e preços diversos – então é preciso pesquisar bastante.

Passei por 5 agências até fechar com a Colque Tours (localizada na Calle Caracoles). O pacote custou 100 mil pesos chilenos (algo em torno de R$500,00 na cotação da época) e incluía transporte compartilhado entre os dois países com várias paradas em pontos turísticos, duas estadias em hotéis e refeições (café da manhã, almoço e jantar).

Essa agência de turismo tem unidades tanto em San Pedro quanto em Uyuni e tem um atendimento bem legal, apesar de ter vendido algumas informações erradas – no folheto dizia que passaríamos a segunda noite hospedados no Hotel de Sal, o que não ocorreu e os nossos companheiros de viagem compraram o pacote com um guia bilíngue, o que também não aconteceu :roll:.

O mesmo passeio também é vendido na Bolívia por preços bem mais vantajosos, fazendo o trajeto inverso do que eu fiz.

Olha eu na Laguna Colorada

  • Dia 1: Imigração, lagunas e geysers

Como já programado, a viagem começou logo pela manhã. Por volta das 7.30h uma van conveniada à agência nos pegou em frente ao hostel e nos levou até um restaurante para tomar café da manhã (muito bom por sinal). Lá conhecemos nossos companheiros de viagem: Anja e Cindy, ambas da Suíça e o Cédrick do Canadá. Como disse anteriormente, o passeio é feito em carros estilo 4X4 compartilhados com capacidade para até 6 pessoas (mas também existe a opção de tour privativo). Por sorte, nossos companheiros de viagem eram super legais, já que passar 3 dias com gente chata não dá né ?! :D

Depois de uma hora e meia no restaurante (o guia estava atrasado), entramos novamente na van e fomos até a imensa fila da imigração chilena. Depois de quase uma hora, já com o passaporte carimbado, voltamos para a van e seguimos até divisa com a Bolívia, onde fica a imigração boliviana – é uma pequena casinha cercada por várias montanhas. Aqui,  trocamos de carro e fomos apresentados ao nosso guia Victor, um boliviano muito simpático e gente boa :D , que adora musica brasileira e que morre de vontade de conhecer o Brasil :P.

Bolsas e malas são amarradas na parte superior do carro e cobertas por uma lona de plástico para protege-las.

Fronteira Chile-Bolívia
Imigração boliviana
Esperando o carro ser preparado para o tour

Carro pronto, fomos levados até a entrada da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa. Para acessá-lo é necessário pagar uma taxa de 150 bolivianos e que não está incluso do pacote. Eles lhe entregam um bilhete que é necessário devolve-lo no dia seguinte, na saída do parque, então tome cuidado para não perde-lo. É bom também levar alguns bolivianos em espécie para utilizar os banheiros do parque (que são pagos) ou comprar alguma coisa nas paradas. Nesse dia visitamos:

Laguna Blanca

Laguna Verde

Águas Termais

Geysers Sol de Mañana

Laguna Colorada

Na volta da laguna Colorada começou a nevar do nada ::Cold:: . Claro que foi uma neve bem fina e rápida, que mais parecia granizo, mas que pra quem nunca viu isso, foi demais ::otemo:: .

Já no final da tarde, seguimos para o nosso refúgio da noite, uma pequena hospedaria no meio das montanhas, a quase 5 mil metros de altitude. Esse é um dos pontos mais altos do país e devido ao mal de atitude é muito comum os turistas terem dificuldades para dormir nessa primeira noite.

O refúgio é bem simples, sem água quente e os geradores que fornecem a eletricidade são desligados por volta das 9h para não sobrecarregá-los.  Os quartos também são compartilhados e cada grupo fica em um quarto. O jantar servido foi delicioso e um pouco antes da luz ser desligada ficamos jogando baralho com nosso grupo de gringos para nos distrair.

Também foi nosso primeiro dia sem tomar banho haha, já que a ninguém tem coragem de enfrentar um banho gelado com aquele frio).

Hospedagem da 1° noite: refúgio a quase 5 mil metros de altitude
  • Dia 2: desertos e mais desertos

Acordamos cedo, tomamos café da manhã e seguimos para o dia mais longo do tour, onde visitamos:

Árbol de Piedra

Esculpida pelo vento durante milhões e milhões de anos, a árvore de pedra tem quase 5 metros de altura e provavelmente cairá em alguns anos devido ao peso da parte superior.

Formações rochosas ao redor da árbol de piedra

Deserto Salvador Dalí

Bichinho no deserto

Deserto Siloli

Lagunas Altiplânicas

Ficam localizadas no altiplano boliviano, um grande planalto limitado pela Cordilheira Ocidental e composta por uma série de grandiosas lagoas de cores vibrantes e cercadas por montanhas vulcões, assim como acontece no altiplano chileno.

Eu e o Dan na Laguna Honda
Laguna Hedionda: tem esse nome deve ao forte cheiro do gás sulfúrico e que mais parece ovo podre

A última lagoa que visitamos: não lembro o nome

Vilarejo de Alota

Esse vilarejo situado no meio do deserto tem pouco mais de 500 habitantes. Foi aqui que fizemos a parada para o almoço

Cidade de San Cristóbal

Depois de Alota, seguimos para essa pequena cidade mineradora. A parada foi de meia hora.

Cemitério de trens

Depois seguimos para o famosos Cemitério de Trens, nas proximidades da cidade de Uyuni.

Depois seguimos até a cidade de Uyuni, onde fomos alocados em um hotel no centro, em uma ótima localização.  Com quartos individuais e Wi-fi, o hotel novamente não tinha água quente :roll:. Para quem se interessar, o hotel se chama Kutimuy e as diárias custam 100 bolivianos por pessoa (achei caro para o padrão da cidade).

  • Dia 3: finalmente o Salar

Acordamos antes as 4 da manhã e seguimos até o ponto alto de todo o passeio, o incrível Salar de Uyuni. Por ser temporada de chuvas, parte do deserto estava alagado o que me proporcionou a paisagem mais linda que vi na vida :P. É FANTÁSTICO, SENSACIONAL, MARAVILHOSO ver o nascer do sol refletido no salar alagado, algo que não tem explicação, fiquei arrepiado e emocionado. Sério, é demais !!!

Ah, não deixe de tirar fotos criativas aqui 😉

Nascer do sol na Salar

Ficamos aproximadamente 1.30h no local até o sol nascer completamente.  Depois seguimos de van até o famoso Hotel de Sal, localizado no meio do Salar. Como o próprio nome diz, ele é quase todo feito de sal e lá dentro funciona também um restaurante. Pelo que entendi, a construção atualmente funciona como museu de centro de apoio aos visitantes. Foi ali que tomamos o café da manhã do dia. A parada foi de aproximadamente 1.30h.

Hotel de Sal

Ali próximo se localizam o Monumento Dakar Ralin e o Monumento das Bandeiras, paradas obrigatórias para fotos.

Monumento Dakar Rali
Monumento das Bandeiras

Depois, ganhamos algumas horas livres. Como apenas parte do deserto estava alagado, aproveitamos a parte seca para tirar inúmeras fotos de perspectiva, atividade obrigatória para quem visita o Salar. É demais!

Depois de tirar várias fotos, fomos levados até uma tradicional feira de artesanatos que fica bem na entrada do Salar onde a maioria dos produtos são feitos de sal. Lá também fica o Museu do Sal. Essa parada foi de aproximadamente 30 minutos. Depois voltamos para a cidade de Uyuni.

Com isso chegava ao fim nosso tour pelo deserto e nosso grupinho iria se separar :cry: O Cédrick iria voltar para San Pedro, a Cindy iria para Sucre e a Anja seguiria conosco até La Paz naquela mesma noite (conheça La Paz clicando aqui) Mas antes demos uma volta na cidade de Uyuni para conhecer melhor a cultura boliviana. A cidade em si é bem bagunçada, mas a região da Plaza Arce é bem interessante (cheia de pubs e restaurantes que ficam repletos de turistas).

Da esquerda para a direita: Dan, Cédrick, Anja, VIctor, Cindy e eu: turminha multicultural no Salar

Quer saber mais sobre o meu mochilão pela Bolívia? É só clicar aqui.

2 Respostas a “Salar de Uyuni: roteiro de 3 dias do Atacama ao Deserto de Sal boliviano

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