A impressionante Bolívia, um país de contrastes

Eu e o Dan passamos 8 dias – janeiro de 2017 – em terras bolivianas como parte do nosso sensacional mochilão de 20 dias pela América do Sul, onde passamos pelo Chile, Bolívia (no qual dedico esse relato) e sul do Peru. Viemos direto do Chile, onde contratamos um tour de 3 dias pela Reserva Eduardo Avaroa, onde vimos inúmeros vulcões, lagoas de cores deslumbrantes, geysers e até um pouquinho de neve :P , finalizando esse passeio no incrível Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo. Visitamos também as cidades de Uyuni, La Paz e Copacabana, o lago Titicaca e a mágica Isla del Sol :). Mas o país tem muitos outros lugares interessantes para se conhecer, como Sucre, Potosí, o carnaval de Oruro e as ruínas de Tiwanaku.

  • Informações práticas

Nome: Estado Plurinacional da Bolívia
Capital: Sucre (constitucional) La Paz (sede do governo)
Maiores cidades: Santa Cruz de la Sierra, El Alto, La Paz, Cochabamba e Oruro.
Moeda: Boliviano
População (2018): 11 milhões (83° mundo)
Idioma oficial: espanhol + 37 outras línguas (é o 2° país no mundo com o maior número de idiomas oficiais, depois da índia).
IDH (2017): 0.674 (118° mundo)

Brasileiros não necessitam de visto para entrar no país – basta o RG ou passaporte.

Deserto Salvador Dalí
Eu e o Dan na Laguna Honda

A Bolívia é um país de contrastes, com uma pobreza explicita e uma cultura forte e única, completamente diferente da nossa. E é justamente essa diferença cultural que nos encanta e que nos faz ficar impressionados com esse pequeno país de pouco mais de 11 milhões de habitantes e que nos últimos anos se abriu para o turismo, tornando-se rota obrigatório de mochileiros do mundo todo.

Pelas ruas das cidades e vilarejos que visitei percebi coisas como o modo de vida simples, a influência do campo em boa parte da população e a forte presença até hoje de elementos das culturas originárias, como o uso da língua quechua, por exemplo. As cholas, mulheres que usam roupas típicas, são o mais claro exemplo da resistência boliviana contra a cultura ocidental. Interessante também são as diferenças nos costumes entre os bolivianos de diferentes regiões, principalmente em La Paz, a mais ‘americanizada’ cidade do país.

La Paz vista do Mirador Killi Killi
As cholas vendendo flores no cais de San Pedro de Tiquina

Os bolivianos são, no geral, bem tímidos e não gostam de se comunicar tanto, principalmente as cholas, que só falam o básico do que é perguntado a elas. São bem acolhedores e prestativos, principalmente em La Paz, porém também tivemos atendimentos bem duvidosos, diria até grosseiros em vários lugares.

Mas em meio a todas as dificuldades que os bolivianos enfrentam, eles podem se orgulhar e muito das belezas naturais que o país oferece. Seus parques e reservas naturais guardam paisagens surreais e espécies de animais únicas. Suas cidades, que estão entre as mais altas do planeta, apesar de parecerem uma grande bagunça a primeira vista, oferecem vários atrativos, com destaque para sua arquitetura peculiar.

Isla del Sol
Reserva Eduardo Avaroa
  • Alimentação:

Um dos pontos que mais me impressionou no país foi a alimentação, tanto no sabor quanto na variedade de pratos. Na maioria dos restaurantes que fui as entradas mais populares eram as sopas (destaque para a sopa de tomate ::otemo:: ) que custavam entre 15 e 20 bolivianos. Já o prato principal fica entre 40 e 60 bolivianos e o suco natural 8 bolivianos. Bolos e doces no geral saem entre 5 e 15 bolivianos e são bem gostosos, melhores que os doces chilenos :). Porém, como a higiene não é um dos fortes do país, é preciso escolher bem o lugar onde você irá comer. Dê preferência a cafés e restaurantes que já foram indicados por outros viajantes e tente evitar a tradicional comida de rua, já que a comida fica exposta sem nenhuma proteção e é quase sempre servida com a mão, com isso as chances de você ter um piriri são grandes. Ande sempre com um álcool em gel no bolso, pois na maior parte dos banheiros, além de não haver limpeza, não há água para a descarga e muito menos para lavar as mãos :oops:

Em Uyuni, a avenida Potosí e a Plaza Arce são repletas de pubs e pizzarias com ambientes bem legais. Em La Paz, eu super indico o Café del Mundo (Calle Sagarnaga, 324), que apesar de ser um pouco caro se comparado com outros cafés da região, tem uma ótima localização e um dos melhores e mais gostosos cardápios da cidade – foi aqui que tomei o chocolate quente mais gostoso da minha vida ::otemo:: . Em Copacabana eu comi em um restaurante muito gostoso e barato na Calle Baptista, porém não lembro o nome dele ::putz::

Brincando durante o nascer do sol no Salar de Uyuni
  • Altitude e temperaturas: 

Sinceramente nós não tivemos nenhum problema com a altitude em toda a Bolívia – e olha que chegamos a 5 mil metros acima do nível do mar – sendo que o máximo que senti foi um pouco de falta de ar em algumas subidas. Mas ao longo da viagem vi muitos relatos de pessoas que vomitaram e até desmaiaram devido ao mal de atitude, então é sempre bom andar com algum remedinho, beber bastante água, comer coisas leves e claro, mascar muitas, mas muitas folhas de coca.

Outra coisa importante: não se engane, apesar de janeiro ser verão no país, faz muitooooo frio. Durante o dia, as temperaturas até sobem e faz um calor gostoso, nada excessivo, porém a noite venta muito e as temperaturas despencam, principalmente no deserto e no salar (chegamos a pegar 5 graus na primeira noite ::Cold:: ).

Leve segunda pele, casaco corta vento, luvas e toca. Dê preferência também a tênis de escalada ou algum outro sapato de sola alta e que não escorregue com facilidade, pois o chão do deserto é bem escorregadio em alguns pontos e se o salar tiver alagado, você evita de molhar os pés.

Brincando no Salar de Uyuni
  • Câmbio:

Em basicamente toda a Bolívia a cotação estava em 1 real = 2 bolivianos, mas sempre vale dar uma pesquisada. Em Uyuni, as casas de cambio ficam na Avenida Potosí, na região da Plaza Arce. Em La Paz, elas ficam espalhadas pela região da avenida 16 de Julio. Já em Copacabana, você consegue encontrar na região da avenida Costanera. Trocamos o equivalente a 1.200 bolivianos em um pequeno centro comercial na Calle Sagarnaga no centro de La Paz e foi mais que suficiente para passarmos 8 confortáveis dias no país.

Lago Titicaca visto do Cerro do Calvário em Copacabana
  • Hospedagem: 

Como fizemos o passeio de 3 dias pelo deserto saindo do Chile, as duas primeiras noites ficamos em alojamentos conveniados com a agência – porém no hotel Kutimuy, que ficamos hospedados em Uyuni, a diária saia 100 bolivianos por pessoa, por quarto privativo ou casal e ducha quente (que não estava nem um pouco quente, mas o hotel é bem confortável).

Em La Paz ficamos no The Adventure Brew, um gigantesco mix de hostel e hotel na avenida Ismael Montes, bem pertinho da Rodoviária – o quarto compartilhado com 12 pessoas saiu por 63 bol. e a estrutura do hotel me surpreendeu positivamente.

Em Copacabana ficamos no Mirador, um dos maiores hotéis da cidade e que fica de frente ao Lago Titicaca – saiu 50 bol. a diária por pessoa por um quarto com vista para o lago ::otemo:: . No geral, as acomodações são bem simples mas confortáveis e o melhor, super baratas. Fique atento se o hotel oferece ducha quente, pois você vai ver a diferença.

Laguna Honda
  • Transporte:

Infelizmente a Bolívia ainda carece de infraestrutura em muitas coisas e tanto as rodovias quanto as companhias de ônibus do país deixam muito a desejar. As estradas, em sua maioria, não tem asfalto e as ruas de várias cidades e vilarejos não tem eletricidade e o esgoto corre a céu aberto. Felizmente, a rodovia que liga Uyuni a La Paz foi recentemente asfaltada, o que deixou a viagem de 8 hrs de ônibus entre as duas cidades bem mais confortável (120 bol. por pessoa). Já as viações (com exceção da Todo Turismo, que faz a rota anteriormente citada) contam com uma frota de ônibus extremamente antiga, com assentos apertados e alguns estão quebrados e sem sinto de segurança. Isso sem falar no atendimento, que é bem desorganizado (muitas empresas não tem sistema computadorizado e os assentos comprados são marcados em papéis). Inclusive, quando estávamos indo de La Paz para Copacabana, a empresa Titicaca vendeu os mesmos assentos que compramos para outras duas pessoas, olha só a confusão ::putz::.

Isla del Sol
Observando as belezas impressionantes da Reserva Eduardo Avaroa
Brincando no deserto
  • Segurança: 

Não é porque um lugar é pobre que necessariamente é violento e a Bolívia é um claro exemplo disso, já que em nenhum momento me senti inseguro, mesmo com alguns moradores locais nos contando que a violência urbana é bem comum nas grandes cidades. Então é bom sempre pesquisar sobre as regiões que você vai visitar, evitar grandes aglomerações, não ostentar objetos caros e ficar sempre de olho no celular e na carteira no bolso :!:.

Paisagem urbana de La Paz, maior centro financeiro e comercial do país

Na volta para o Brasil, pegamos nosso voo Latam com destino a Lima, onde faríamos uma escala de 6 horas. Ao meio dia embarcamos novamente e as 20 hrs chegamos em terras brasucas, no aeroporto de Guarulhos. Nossa partida foi pelo Aeroporto Internacional El Alto, um dos mais altos do mundo, que apesar de pequeno, é moderno e tem uma boa estrutura. Outras cidades importantes, como Sucre, Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra também contam com aeroportos, alguns com voos diretos para o Brasil.

Árbol de Piedra
Copacabana vista do Cerro do Calvário
Um dos inúmeros vulcões da Reserva Eduardo Avaroa

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