Quem passa pela região central de Santos, principalmente na região da Rodoviária, já deve ter reparado no grandioso prédio branco localizado no alto do Morro de São Bento, mas pouca gente sabe que ali está o Museu de Arte Sacra de Santos, um dos espaços históricos e culturais mais interessantes de Santos.

O museu ocupa um conjunto arquitetônico beneditino do século XVII, formado pelo antigo Mosteiro de São Bento e pela Igreja de Nossa Senhora do Desterro, permitindo que a visita reúna arte, arquitetura, história e religiosidade em um mesmo lugar.

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O antigo Mosteiro de São Bento
A história do museu está diretamente ligada à presença dos monges beneditinos em Santos e ao antigo conjunto formado pelo Mosteiro de São Bento e pela Igreja de Nossa Senhora do Desterro.
Durante séculos, o mosteiro serviu como residência dos religiosos. Com três pavimentos, o edifício possuía igreja, sacristia, claustro, celas utilizadas como dormitórios, salas e salões.
Sua história também acompanhou diferentes momentos da cidade: o prédio chegou a acolher vítimas das epidemias que atingiram Santos no século XIX, especialmente em 1874, e, entre 1958 e 1968, funcionou como internato para jovens refugiados russos.

Reconhecendo sua importância histórica e arquitetônica, o conjunto recebeu proteção nas três esferas de patrimônio (nacional, estadual e municipal): foi tombado pelo IPHAN em 1948, pelo CONDEPHAAT em 1971 e pelo CONDEPASA em 1990.
Depois de um cuidadoso processo de restauração acompanhado pelos órgãos de preservação, o Museu de Arte Sacra de Santos foi oficialmente inaugurado em 11 de julho de 1981, por iniciativa do então bispo diocesano Dom David Picão.

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Como é a visita
Atualmente, o museu recebe visitantes de terça-feira a domingo, das 10h às 16h30. Aos domingos, o funcionamento pode ser ajustado em função da missa celebrada na Igreja de Nossa Senhora do Desterro, por isso vale confirmar a programação antes da visita.
O ingresso custa R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada) e o passeio ao museu é guiado.
Eu visitei o museu durante uma sexta-feira pela manhã e era o único visitante naquele momento.
Estando na Avenida Getúlio Vargas, fique atento a entrada do museu: há uma escadaria que dá acesso ao museu (direita) e uma escadaria que sobre a Rua Santa Cecília em direção ao Morro (esquerda).

Subindo a escadaria, você chegará aos fundos do Mosteiro (basta seguir as plaquinhas) e depois, finalmente, em frente a Igreja do Desterro – aproveite esse trajeto para apreciar a vista lá do alto, onde é possível avistar o Centro de Santo e várias construções do Morro de São Bento.



Bem ao lado da Igreja há uma recepção e ali me informeu sobre a entrada ao museu, onde paguei meu ingresso e fui apresentado ao meu simpático guia (infelizmente não lembro seu nome). A visita durou cerca de 40 minutos.

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Igreja de Nossa Senhora do Desterro
Nosso tour começou pela Igreja de Nossa Senhora do Desterro, que estava fechada no momento e foi aberta para a minha visita. 😍
Datada do século XVII, essa linda igreja preserva elementos arquitetônicos e artísticos que ajudam a compreender a presença beneditina na cidade.

Mas um dos grandes destaques está em seu interior: o retábulo-mor do século XVIII, de características barrocas. Sua ornamentação apresenta elementos associados à devoção mariana, como rosas, girassóis, margaridas, conchas e coroamento, além de símbolos cristãos, entre eles anjos, pelicano e folhas de acanto.


E apesar de fazer parte do circuito do museu, a igreja ainda recebe celebrações, com missas aos domingos e em datas especiais.
Ah, o acesso apenas à igreja é liberado e os participantes da missa não pagam ingresso para visitar o museu.
É permitido fotografar. 📷

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O Museu de Arte Sacra
Saindo da Igreja por uma porta lateral, já acessamos o antigo mosteiro, mais especificamente um pátio central onde se inicia o Museu de Arte Sacra de Santos – a partir desse trecho, não é mais possível fotografar (com o intuito de preservar as obras).

O museu possui mais de 600 peças, entre esculturas, pinturas, objetos litúrgicos, indumentárias e outros itens relacionados à religião. O conjunto reúne tanto obras de caráter erudito quanto manifestações da religiosidade popular, com peças produzidas entre os séculos XVI e XXI.
Entre os destaques estão vestimentas utilizadas em celebrações religiosas, como casulas, capas de asperges, dalmáticas e mitras, algumas datadas dos séculos XIX e XX.
O passeio pelo museu passa pelos antigos ambientes do mosteiro. Na Sacristia, o museu recria a função original do ambiente onde os religiosos se preparavam para as celebrações. É um dos espaços que ajudam a compreender como funcionava o cotidiano do antigo complexo beneditino.
No Salão Principal estão algumas das peças mais importantes do acervo, incluindo imagens religiosas produzidas entre os séculos XVI e XVIII, esculpidas em madeira ou modeladas em barro cozido. Também é possível observar uma coleção de “paulistinhas”, pequenas imagens religiosas associadas especialmente à tradição popular paulista.
A Sala da Paixão reúne pinturas e esculturas dedicadas à Paixão de Cristo. As obras, dos séculos XVIII ao XX, transitam entre a produção popular e erudita e incluem trabalhos de artistas como Benedito Calixto e Marino Del Favero.
Outro ambiente interessante é a Cela do Monge, instalada em uma das antigas celas do mosteiro. O espaço procura reproduzir a simplicidade de um dormitório beneditino e permite imaginar um pouco da rotina de clausura vivida pelos religiosos que habitaram o edifício.

Há ainda espaços dedicados às diferentes invocações de Nossa Senhora, com esculturas, pinturas e estandartes, além da Sala dos Oratórios, que apresenta antigos oratórios domésticos e mostra como a religiosidade também estava presente dentro das residências.
Um dos aspectos mais interessantes do museu é que seu acervo não se limita às obras produzidas para grandes igrejas. Há também objetos relacionados à religiosidade doméstica e popular, como oratórios e pequenas imagens que faziam parte da vida cotidiana de famílias brasileiras.
A coleção de paulistinhas, por exemplo, ajuda a mostrar como pequenas esculturas religiosas eram utilizadas na devoção particular. Já os antigos oratórios apresentados pelo museu pertenciam a famílias e guardavam as imagens dos santos de sua devoção.

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As duas esculturas
Ao visitar o museu, duas esculturas merecem sua atenção:
Uma das peças mais importantes do museu é a imagem de Nossa Senhora da Conceição, produzida em 1560 por João Gonçalo Fernandes. Segundo a Prefeitura de Santos, ela é considerada a imagem religiosa mais antiga existente no Brasil cuja autoria é conhecida.
A obra ocupa posição de destaque no Salão Principal e é particularmente importante por permitir associar uma peça do século XVI a um artista identificado, algo incomum entre as imagens religiosas produzidas nos primeiros tempos da colonização.
Outra peça cercada de história é a imagem de Santa Catarina de Alexandria. A tradição registrada pela Prefeitura de Santos afirma que a escultura foi recuperada do mar depois de ter sido lançada às águas durante um ataque de piratas, em 1591.
Hoje, a imagem está entre as peças de destaque do Salão Principal, ao lado de outras esculturas dos séculos XVI ao XVIII.

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Informações importantes
Endereço
Rua Santa Cecília, 795 – Morro São Bento, Santos – SP, 11082-460.
O museu fica no Morro de São Bento, próximo à Rodoviária de Santos.
Para quem vai de carro, há estacionamento, cujo acesso é feito pela Rua Visconde do Embaré.
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Quando visitar Santos?
A melhor época para visitar Santos, assim como outras cidades litorâneas do estado de São Paulo, pode variar dependendo das preferências pessoais e do tipo de atividades que você deseja realizar:
– Verão (dezembro a fevereiro): durante o verão, Santos e suas praias ficam movimentadas, o clima é quente e a água do mar está mais agradável para banho. É uma excelente época para aproveitar as praias, atividades ao ar livre e a vida noturna da cidade. No entanto, prepare-se para praias mais cheias e preços mais altos nas acomodações devido à alta temporada.
– Primavera (setembro a novembro) e Outono (março a maio): estas são épocas excelentes para visitar Santos se você prefere temperaturas mais amenas e praias menos lotadas. Durante a primavera e o outono, você ainda pode desfrutar de dias agradáveis na praia, fazer caminhadas e explorar a cidade, mas sem o calor intenso do verão.
– Inverno (junho a agosto): O inverno em Santos é mais fresco, com temperaturas mais baixas do que no verão, mas ainda é uma época viável para visitar a cidade. Se você não se importa com temperaturas mais amenas e prefere evitar as multidões, o inverno pode ser uma boa opção. No entanto, as chuvas são mais frequentes nessa época.
Além das condições climáticas e das preferências pessoais, também é importante considerar eventos e festivais que possam estar acontecendo em Santos durante a sua visita, como Carnaval e Reveillón.
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Onde se hospedar em Santos?
Santos oferece diversas opções de hospedagem para atender a diferentes gostos e orçamentos e a escolha de onde se hospedar depende das suas preferências, como proximidade da praia, do centro da cidade, tipo de acomodação, orçamento e necessidades específicas.
Abaixo estão algumas áreas populares entre os turistas na cidade:
– Ponta da Praia: esta é uma área popular para quem deseja ficar perto da região portuária, da travessia da balsa para Guarujá e do Aquário.
– Gonzaga: o bairro do Gonzaga é uma região movimentada em Santos, com muitas opções de comércio, restaurantes e entretenimento. Há hotéis, apart-hotéis e pousadas nesta área.
– Boqueirão: esta área também está próxima à praia e é conhecida por sua movimentação, com diversos estabelecimentos comerciais. Você encontrará hotéis e pousadas aqui.
– José Menino: um bairro mais tranquilo, ideal para quem busca um ambiente mais sereno. Fica próximo da divisa com São Vicente e ao Emissário Submarino de Santos.
– Embaré: mix de bairro residencial e comercial, abriga atrações como a Basília de Embaré e um popular shopping.
– Centro: se você prefere ficar perto de pontos turísticos históricos e culturais, o centro de Santos oferece hotéis e pousadas que podem ser uma escolha conveniente.
– Sheraton Santos Hotel: localizado em Aparecida, a apenas 2 quarteirões da praia e do PraiaMar Shopping, esse hotel 5 estrelas tem piscina coberta, academia, spa, salão de jogos, restaurante e quartos com vista da cidade.
– Parque Balneário by Atlantica Hotels: localizado a apenas 30 metros da Praia do Gonzaga, o hotel dispõe de piscina ao ar livre com vista para o mar, banheira de hidromassagem, salões de jogos e brinquedos, sauna, academia, restaurante e bar.
– Atlântico Inn Hotel: localizado a apenas 400 metros da Praia do Gonzaga, este hotel oferece piscina ao ar livre, buffet de café da manhã, bar, espaço para eventos e estacionamento privativo.
– Rolds Hostel: localizado a 1,8 km do Miramar Shopping e a 4 km do Brisamar Shopping, oferece cozinha compartilhada, lounge compartilhado e Wi-Fi gratuito em todas as áreas. Também há quartos família.
– Caiçara Hotel: localizado a 800 metros da Miramar Shopping e a 2 km da Praia do Gonzaga, oferece buffet de café da manhã e quartos com ar-condicionado, TV a cabo, telefone e banheiro privativo.
– Ibis Budget Santos Gonzaga: localizado na quadra da praia e a 2 minutos a pé do Miramar Shopping, oferece quartos com ar-condicionado, Wi-Fi grátis e banheiro privativo. Um café da manhã simples é servido diariamente no restaurante por uma taxa extra.
Certifique-se de fazer reservas com antecedência, especialmente durante a alta temporada de verão, quando a cidade recebe muitos turistas.
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