Cruzando a fronteira Bolívia-Peru de ônibus

As imigrações são, geralmente, uma das preocupações mais constantes entre os viajantes, já que é ali que seu desejo de cruzar a fronteira de um país para outro pode ser aprovado ou não. E uma das imigrações mais tranquilas que já passei foi o Controle Migratório de Kasani, localizado na divisa entre Copacabana, na Bolívia e Yunguyo, no Peru.

  • Minha experiência

Minha viagem começou em La Paz, na Bolívia e tinha como destino Puno, localizada no sul do Peru, às margens do Lago Titicaca, em um trajeto de aproximadamente 8 horas. A passagem de ônibus foi comprada na rodoviária de La Paz um dia antes, na viação Titicaca (80 bolivianos + taxa de 2 bol. cobrados no embarque). Haviam mais 2 empresas que faziam esse trajeto, mas decidir ir com essa, por já ter visto outros relatos na internet de viajantes que aprovaram a empresa, mas o ônibus em si era bem antigo, com assentos apertados, janelas emperradas e sem banheiro.

A venda de passagens é feita manualmente, ou seja, a funcionária da empresa vai anotando em um papel os assentos vendidos e o nome de quem o comprou. Já na hora embarcar, tive um pequeno problema, pois a minha poltrona já estava ocupada por outra pessoa. Tive que descer do ônibus, chamar a moça da empresa, explicar a situação, e nada. Ela começou a me enrolar, enrolar, até que o casal que estava ocupando os assentos se deu conta que o ônibus deles era o próximo e não aquele. Uffa.

Já acomodado no meu lugar, o ônibus saiu às 8h da manhã e, depois de pegar um pouco de congestionamento em El Alto, por volta das 12h já estava na cidade de Copacabana, onde todos tiveram que descer do ônibus – a maioria iria ficar na cidade mesmo, já outros iriam partir dali com destino a Puno. Assim que descemos, ficamos em frente a agência da viação para assinarmos uma lista com nome completo e o número do documento de identidade (usei meu passaporte, mas para brasileiros também é possível utilizar o RG). Em seguida, me foi entregue dois formulários para serem preenchidos para serem depois usados na imigração (tudo feito na correria e sem organização nenhuma, por isso tente se informar ao máximo lá para não ficar perdido, já que neste trecho, dependendo do seu destino, pode ser feita uma alteração de ônibus). Embarcamos novamente no mesmo ônibus e em menos de 15 minutinhos (10 km) chegamos na divisa entre Bolívia e Peru, onde fica localizado o Controle Migratório de Kasani.

Ali, é necessário que todos saiam do ônibus, joguem fora qualquer tipo de alimento que estejam carregando e formem uma fila para registar sua saída do país, que apesar de grande, não demorou muito. Leve sua mochila ou bolsa de mão e objetos de valor com você, pois, o ônibus provavelmente passa por alguma vistoria depois e não vemos quem entra e sai dele.

Passaporte carimbado, não voltei para ônibus, já que a travessia entre as fronteiras é feita a pé – é só seguir o fluxo de pessoas na única rua do local e/ou se informar direitinho com os oficiais da imigração. Existe um arco separando os dois países -passou ele, já está no Peru. É nesse trecho também que fica localizado aquele famoso letreiro escrito Peru, com o Lago Titicaca ao fundo, com a letra “P” formada por uma linha em espiral que faz referência às linhas de Nazca.

Arco que divide a Bolívia do Peru
Capela da Natividade localizada na divisa entre os dois países

Ao longo desse trecho entre os dois controles migratórios existe um comércio variado, com bares, restaurantes e lojinhas de presentes. Do lado peruano, existem umas 5 casas de cambio, onde é bom trocar alguns reais por soles para comer algo ou pegar um táxi – aqui vale uma dica: pesquise entre as casas de cambio, pois elas tem cotações bem diferentes entre si – encontrei uma onde um real valia 85 centavos de soles e na outra um real valia apenas 45 centavos.

O controle migratório do Peru é bem mais demorado que a boliviana, mas não é preciso ter muita pressa, pois o ônibus demora bastante até ser liberado. No escritório de imigração, foi perguntado apenas quantos dias iria ficar no país e o passaporte é carimbado com o visto de entrada, que para brasileiros é de 90 dias. Uma dica super importante é sempre guardar o comprovante que é entregue nos controles migratórios, pois eles podem ser exigidos quando você estiver saindo do país.

Ônibus liberado, embarquei e segui viagem por mais 3 horas até a rodoviária de Puno. O trajeto é feito por uma única estrada e que corta vários vilarejos bonitinhos localizados as margens do Titicaca – é bom sentar do lado direito do ônibus, pois assim você consegue apreciar melhor a paisagem.

Três dias depois, estava eu fazendo todo o mesmo caminho, mas no sentido inverso. Minha estadia em Puno foi rápida, mas inesquecível (saiba mais clicando aqui).

O famoso letreiro fronteiriço, já em terras peruanas
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