3 dias na Bósnia e Herzegovina: impressões, fotos e dicas de viagem

Ainda pouco conhecida pelos viajantes, principalmente os brasileiros, a Bósnia e Herzegovina é um pequeno, mas multicultural país dos Bálcãs, sudeste da Europa. Repleto de história e belezas naturais de tirar o fôlego, o país é formado por duas regiões: Bósnia, ao norte, que corresponde a 80% do território do país; e Herzegovina, ao sul.

E durante a minha viagem pela Europa, fiz questão de colocar a Bósnia e Herzegovina no meu roteiro por três motivos: a localização, já que eu estava na Croácia e a ligação entre os dois países é bem tranquila; o preço super convidativo; e claro, o meu entusiasmo em conhecer lugares novos e menos populares. E não me arrependo nenhum pouco da minha escolha, já que o país foi uma das maiores surpresas que tive durante essa trip. E acredite, viajar pelo país é mais fácil do que parece.

  • Informações práticas

Nome: Bósnia e Herzegovina
Capital: Sarajevo
Maiores cidades: Sarajevo, Banja Luka, Tuzla, Zenica e Mostar.
Moeda: marco convertível ou “conversível”.
População (2016): 3.8 milhões (129° mundo)
Idioma oficial: Bósnio, croata e sérvio
IDH (2017): 0.768 (77° mundo)

Brasileiros não necessitam de visto para entrar no país – para estadia de até 90 dias, é necessário apenas o passaporte.

A capital Sarajevo
A histórica vila de Počitelj
A histórica vila de Počitelj
Olha eu em Mostar
  • História

As terras que hoje fazem parte da Bósnia e Herzegovina são habitados há mais de 2.000 anos, já tendo feito parte do Império Romano, Império Bizantino do Reino da Croácia, do Reino da Hungria, do Reino da Sérvia e dos turcos otomanos até 1878, quando o Império Austro-Húngaro dominou a região. Já em 1914, o arquiduque da Áustria Francisco Ferdinando é assassinado em Sarajevo, evento esse que é considerado o estopim para a I Guerra Mundial.

Com o término da I Guerra Mundial, a Bósnia e Herzegovina é anexada ao Reino da Iugoslávia, estado monárquico que viria a se tornar anos depois a República Socialista Federativa da Iugoslávia.

Com o fim da Guerra Fria e o colapso do comunismo, as antigas federações da Iugoslávia passaram por uma grande onda nacionalista e a Bósnia e Herzegovina declarou sua independência em 1992. Porém, os sérvios bósnios recusaram separar-se da Iugoslávia, que nessa altura se encontrava sob o domínio da Sérvia. Isso resultou em uma sangrenta guerra civil – popularmente chamada de Guerra da Bósnia. O conflito só acabou em 1995, deixou mais de 200 mil mortos, destruiu todo o país e deixou marcas profundas na população.

Um dos grandes cemitérios de Sarajevo: marcas da guerra são visíveis por todo o país
Ponte Latina em Sarajevo, local onde o arquiduque da Áustria foi assassinado.
  • A viagem

A maioria dos turistas visitam a Bósnia em apenas um dia, no esquema bate-volta, a partir de algum país vizinho, em especial a Croácia. Claro, se você tem pouco tempo, esses passeios de um dia são super válidos, pois geralmente incluem mais de um destino no mesmo roteiro.

No meu caso, ao todo foram 3 dias no país – quantidade suficiente para conhecer com calma as principais cidades turísticas, mas que me deixou com um gostinho de quero mais – afinal, a Bósnia conquistou meu coração.

O meu roteiro foi o seguinte:

Dia 1: Mostar 
Dia 2: Blagaj, Kravica Waterfall e Počitelj
Dia 3: Sarajevo

  • Dia 1

No dia 1, fiz o trajeto de Dubrovnik (Croácia) até Mostar em um ônibus da empresa Eurolines – duração de 6 horas, com direito a duas paradas ao longo do trajeto. Como cheguei em Mostar ainda pela manhã, reservei o resto do dia para conhecer a cidade, que é uma das mais bonitas e interessantes da Europa. Entre as principais atrações, destaque para as inúmeras mesquitas, o Rio Neretva e a Stari Most, a famosa Ponte Velha de Mostar.

Stari Most e o Rio Neretva
Centro Histórico de Mostar, patrimônio da humanidade pela UNESCO
  • Dia 2

No dia 2, visitei Blagaj, Kravica Waterfall e Počitelj. Esses três destinos ficam localizados em um raio de 40 km de Mostar, sendo facilmente acessados de carro – ônibus nem tanto, devido a escassez de horários e problemas de logística.  Para poupar tempo, contratei um tour em Mostar com a agência de turismo Explore Mostar – o day tour de 7 horas custou 35 euros.

A primeira parada desse tour foi na vila de Blagaj, conhecida por seu belíssimo mosteiro às margens do Rio Buna.

Blagaj
Blagaj

De Blagaj, seguimos para a Kravica Waterfalls (também chamado de Kravice), um bonito conjunto de cachoeiras no rio Trebižat e que é, sem dúvidas, a atração natural mais famosa e visitada do país.

Kravica Waterfall
Kravica Waterfall

E para finalizar o roteiro do dia, visitei o histórico vilarejo otomano de Počitelj, situado em meio às montanhas e com imponentes mesquitas, muralhas e até um castelo.

Počitelj
Ruínas do castelo de Počitelj
  • Dia 3

no terceiro dia em terras bósnias, visitei a capital e maior cidade do país, a vibrante Sarajevo – histórica cidade, palco de eventos importantes e uma das mais destruídas e marcadas pelo terror da Guerra da Bósnia.

Centro de Sarajevo
Biblioteca Nacional
  • Custo de vida e câmbio

A moeda oficial da Bósnia e Herzegovina é o marco convertível, também chamado de “conversível” e que tem o KM (Konvertibilna Marka) como sigla – também é possível encontrar algumas pessoas se referenciando à moeda como BAM.

Na época da minha viagem, 1 euro era equivalente a 2 marcos, o que facilitou muito o controle dos meus gastos (sou de Humanas, então fazer cálculos não é lá muito fácil pra mim haha). Já em relação ao real, 1 marco é equivalente a cerca de 2 reais.

Mas o melhor de tudo é que o custo de vida é muito baixo no país. Dos 14 países que visitei no meu mochilão pela Europa, a Bósnia foi o mais barato de todos. Em supermercados, é possível encontrar produtos de qualidade por preços bem legais, assim como em cafés e restaurantes – um almoço bem servido em um restaurante de médio porte sai por cerca de 7-10 marcos. Mas nesse quesito sempre vale pesquisar antes de comprar, já que os preços costumam ser maiores em lugares muito turísticos.

Rua comercial no centro de Sarajevo
Comércio próximo à Ponte Velha de Mostar
  • Infraestrutura

Apesar da guerra ter destruído boa parte das cidades da Bósnia, é possível perceber que o país conseguiu reerguer e modernizar boa parte de sua infraestrutura, principalmente nas áreas de turismo – o crescimento econômico do país tem como uma de suas bases o turismo, setor que cresceu cerca de 20% por ano na última década, o que mostra que a Bósnia vem recuperando sua reputação.

Só em 2018, 1.465.412 turistas visitaram a Bósnia e Herzegovina, um aumento de 12,1% em comparação com o ano anterior. Devido a alta demanda, é possível encontrar uma boa variedade de hospedagens, agências de turismo, restaurantes, lojas, entre outros serviços destinados a visitantes.

As estradas que fazem parte de rotas turísticas são asfaltadas e bem sinalizadas, mas são estreitas e sinuosas – e se comparadas com outros países da Europa, “deixam a desejar” (apesar de serem bem melhores que a maioria das estradas brasileiras).

O maior aeroporto do país e principal porta de entrada de turistas é o Aeroporto Internacional de Sarajevo, que recebe voos diários das maiores cidades europeias. Já as passagens aéreas, se não compradas com certa antecedência, costumam ser caras. Outra opção muito utilizada e prática é viajar de ônibus, tanto dentro do país, como para outros países – a frequência de ônibus é grande e os preços bem convidativos.

Já viajar de trem é uma opção barata e dependendo do trajeto, proporciona ótimas paisagens – eu fiz o trajeto Mostar > Sarajevo e fiquei encantado com o caminho.

Outra facilidade de se viajar pela Bósnia é que nas maiores cidades, boa parte da população fala inglês – porque entender a língua local não é lá muito fácil.

Trem que faz o trajeto Mostar > Sarajevo
Paisagem ao longo do trajeto de trem entre Mostar e Sarajevo
Rodoviária de Sarajevo
  • Segurança

Uma das maiores preocupações para quem está planejando uma viagem à Bósnia é a questão da segurança, já que o país tem uma passado de grande instabilidade política e social e que teve como ápice uma sangrenta guerra civil.

Ainda hoje a grande mídia se concentra nesse passado turbulento, mas apesar disso, posso garantir que me senti bem mais seguro na Bósnia do que na maioria das cidades brasileiras.

Entre os cuidados sugeridos para quem visita o país, está a relacionada às minas terrestres -estima-se que ainda existam cerca de 10 000 campos com de mais de 200 mil minas terrestres ainda ativas. Com isso, deve-se evitar caminhar por antigas áreas de conflito, prédios abandonados e estradas não pavimentadas, principalmente sem um guia local. Mas não se assuste, as áreas turísticas não apresentam mais esse perigo.

Outra coisa é que, assim como em todos os países, o risco de furtos e roubos também é eminente. Então, sempre fique de olho em seus pertences e não dê bobeira. Com isso, tenho certeza que sua viagem será perfeita, assim como a minha foi.

Počitelj é uma das mais tranquilas cidades do país

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