Gallerie dell’Accademia, o maior museu de arte de Veneza

Situada na encantadora margem sul do Grande Canal, a Gallerie dell’Accademia (Galeria da Academia) fazia parte da Accademia di Belle Arti di Venezia, uma importante escola de arte fundada em 1750 por Giovanni Battista Piazzetta, uma das primeiras instituições do mundo a estudar a arte e a ciência da restauração artística. Hoje, o museu se orgulha de algumas obras de destaque da herança artística italiana, exibindo peças de talentosos artistas como Bellini, Carpaccio, Veronese, Veneziano, Tintoretto, Tiepolo, Ticiano e Canaletto.

Se você deseja passar algum tempo admirando a rica arte veneziana, esse é o lugar certo pra você!

Interior do Museu
Interior do museu
  • História

Construídos no século XII, a igreja e convento de Santa Maria della Carita mantinham, desde o ano 1260, uma escola de caridade que possuía tarefas de ajuda mútua e caridade para com os pobres. A irmandade foi crescendo e rapidamente se tornou uma das mais ricas de Veneza, o que garantiu a construção de monumentais edifícios, como a galeria principal, inaugurada em 1344.

Prédio da antiga Escola de Caridade, hoje a entrada principal do museu

Séculos depois, por volta de 1807, já com o declínio da irmandade e a supressão da paróquia, as autoridade venezianas optaram por transferir para o complexo religioso todo o acervo da Accademia di Belle Arti di Venezia, escola de arte fundada por Giovanni Battista Piazzetta para fins educacionais e de restauração. Para essa transferência, adaptações em todo o prédio precisaram ser feitas, principalmente na antiga igreja, que foi dividida em salas, eliminando todos os altares e móveis.

Igreja de Santa Maria della Carita, hoje parte do museu

Com o intuito de reunir ali todas as obras de arte espalhadas por Veneza, aquisições e doações foram feitas e atualmente mais de 800 peças, de 1200 ao século XVIII, formam a maior coleção de arte veneziana do mundo.

  • A coleção

A grandiosa coleção do museu é praticamente formada por obras de artistas venezianos, sendo dividida em:

– obras que já pertenciam ao acervo da Igreja de Santa Maria della Carità e sua escola;
– obras coletadas durante as supressões;
– um pequeno número de obras dos acadêmicos transferidos para cá do antigo local;
– obras adquiridas especificamente (como a coleção de gesso da Abade Farsetti, 1805) e
– obras adquiridas através de legados.

O acervo inclui também o mundialmente famoso desenho de Leonardo da Vinci do Homem Vitruviano, que raramente é exibido porque o trabalho, sendo no papel, é frágil e sensível à luz.

  • A visita ao museu

Não há um roteiro específico para visitar a Gallerie dell’Accademia, até porque boa parte de sua coleção de pinturas está organizada em ordem cronológica e começa no período bizantino e gótico tardio dos séculos XIV e XV e vai até o barroco e o rococó.

Entrando no museu, depois de passar pelo detector de metais, você sairá na recepção turística, onde é possível encontrar as mais diversas informações sobre o museu, o guichê de venda e troca de tickets, o guarda-volumes, sanitários e a loja de lembrancinhas.

Escultura localizada na recepção
  • Sala del Capitolo (Sala 1):

Assim que comprei o ticket e guardei minha bolsa no guarda-volumes, subi os degraus de mármore à esquerda e vislumbrei o esplêndido teto da entrada principal do andar de cima, onde o circuito museológico começa. Estou falando da Sala del Capitolo (Sala 1),  decorada em 1484.

Inúmeros rostinhos ladeados por quatro pares de asas estavam me observando de cima. Aqui e ali, painéis um pouco maiores foram inseridos no teto, criando pontos focais entre o mar de faces aladas – é impressionante ver como os tetos foram transformados em verdadeiras obras de arte.

A enorme extensão do saguão do andar de cima continha muitas obras de arte medieval. Entre eles, fiquei particularmente atraído por este trabalho de Lorenzo Veneziano conhecido como “Leão Político”, retábulo que remonta a 1359 e representa a Anunciação. As outras salas de exposição do museu são:

  • Salas 2, 4 e 5: 

Dedicadas a renascença precoce e obras de Giovanni Bellini, Cima da Conegliano, Vittore Carpaccio e del Piombo.

  • Salas 3 e 6:

Andrea Mantegna, Giovanni e Jacopo Bellini, Turà, Hans Memling, Piero della Francesca e Giorgione.

  • Salas 7-8:

Titian, Lorenzo Lotto, Vasari, Jacopo Negretti, também conhecido como Palma il Vecchio e outros.

  • Sala 10:

Alta Renascença e Maneirismo: Ticiano, Jacopo Tintoretto, Paolo Veronese e Bellini.

  • Sala 11:

Artistas do barroco: Veronese, Tiepolo, Strozzi, Tintoretto e outros.

  • Sala 12:

Paisagens, principalmente do século XVIII.

  • Sala 13:

Retratos do século XVI, incluindo Bassano.

  • Sala 14:

Obras do período barroco.

Tintoretto
  • Sala 15:

Barroco tardio e rococó.

  • Sala 16:

Tiepolo e Rococó.

  • Sala 17:

Século XVIII (Canaletto e Pietro Longhi).

  • Sala 18:

Obras do século XVIII.

  • Sala 19:

Obras do século XIV

  • Sala 20:

Ciclo de pinturas de Gentile Bellini, entre outros: ‘O milagre da cruz’.

A procissão na Praça de São Marcos, Bellini
  • Sala 21:

Ciclo de pinturas de Vittore Carpaccio, com destaque para ‘The Legend of S. Ursula’.

  • Sala 22:

Pinturas do século XVIII.

  • Sala 23:

A antiga igreja é agora a sala de exposições e obras do final do período gótico, incluindo “O Leão de São Marcos”, de Giambattista Cima da Conegliano, espetacular obra representando o símbolo de Veneza, o leão alado de São Marcos. Um detalhe interessante: essa composição incrível é pintada em um painel de madeira e não em tela.

Outras obras da sala, que é a maior de todo o museu:

  • Sala 24:

Imponente e decorada sala onde está a obra “A Apresentação da Virgem Maria” de Ticiano.

  • Piso térreo:

Apesar de ficarem um pouco escondidas, as salas do piso térreo guardam uma ampla e interessante coleção de esculturas clássicas.

  • Quanto tempo é necessário para visitar o museu?

Reserve ao menos meio período do seu dia para apreciar com calma todas as obras. Mas se você não tiver muito tempo disponível, não se preocupe, pois, apesar da grande coleção, o museu pode ser facilmente visitado em algumas horas – eu mesmo levei cerca de 2 horas para percorrer todo o espaço.

  • E o melhor dia de visita?

A Gallerie dell’Accademia recebe menos visitantes que o Palácio Ducal, mas prepare-se para enfrentar uma fila de pelo menos uma hora durante a alta temporada.

Para evitar essa dor de cabeça, não há solução melhor do que reservar seu ingresso on-line e pular toda a espera pelo guichê. Você precisará escolher um horário específico de data e hora para a sua visita ao fazer a reserva on-line.

O horário da noite não é tão procurado: de terça a domingo, as galerias estão abertas até 19h15 (até 14h às segundas-feiras). A melhor solução para evitar multidões seria chegar de terça à quinta-feira, às 17h. Isso pode se tornar uma estratégia arriscada durante o verão, pois, se preso em uma fila, talvez você não tenha tempo suficiente para visitar as galerias antes que elas se fechem. No entanto, a tática funciona muito bem durante o resto do ano.

Outra opção é chegar de manhã cedo, já que as galerias abrem às 8h15.

  • Informações importantes:

Gallerie dell’Accademia

Endereço: Campo della Carita – Dorsoduro 1050 – Veneza 30100, Itália
Tel: +39 041 5200345
Web: www.gallerieaccaemia.org

Horário 

Terça à domingo – 8h15 às 19h15
Segunda – 8h15 às 14h00

Valor:

12 euros (2019).

Interior do museu

Veja o que ver e fazer na Praça de São Marcos clicando aqui.

2 Respostas a “Gallerie dell’Accademia, o maior museu de arte de Veneza

  1. Muito obrigada pelo seu post! Foi o que mais tinha informações sobre a galeria, gostei muito que você colocou as principais coisas nas salas :))))
    Me ajudou muito, obrigada <3

    1. Oiee, Victoria.
      Fico muito feliz que o post tenha lhe ajudado.
      Tenha uma excelente viagem e continue acompanhando o Viajante Sem Fim =)

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