Visitando o Museu Lasar Segall em São Paulo

Localizado na Vila Mariana, em São Paulo, o Museu Lasar Segall é dedicado à preservação, pesquisa e divulgação da obra de Lasar Segall (1889–1957), pintor, gravurista e escultor considerado um dos pioneiros da arte moderna brasileira.

Inaugurado em 21 de setembro de 1967, o espaço nasceu do esforço da família para preservar a memória e a produção do artista e funciona justamente no conjunto de casas onde Segall viveu com sua família e manteve seu ateliê durante as últimas décadas de sua vida.

Hoje, além das exposições, reúne biblioteca, cinema, ateliê de gravura, atividades educativas e um acervo com mais de 3 mil trabalhos de Segall, tornando-se uma importante referência para compreender sua trajetória e o desenvolvimento da arte moderna no Brasil.


  • Mas quem foi Lasar Segall?

Lasar Segall nasceu em 1889, em Vilna, então pertencente ao Império Russo e atualmente capital da Lituânia. De origem judaica, iniciou sua formação artística ainda jovem e posteriormente estudou e desenvolveu sua carreira na Alemanha, aproximando-se das vanguardas europeias e, principalmente, do expressionismo.

Depois de diferentes passagens pelo Brasil, Segall estabeleceu-se definitivamente no país em 1923 e integrou-se ao ambiente modernista brasileiro. Sua produção passou a combinar influências europeias com temas e paisagens encontrados no Brasil, ao mesmo tempo em que continuou abordando questões sociais e humanas.

Em muitas de suas obras aparecem personagens ligados à migração, pobreza, guerra, perseguição e exclusão social, além de referências à cultura judaica. Sua própria experiência como imigrante também aparece de maneira marcante em sua produção.

“Navio de emigrantes”, 1939-1941
“Navio de emigrantes”, 1939-1941

Durante a ascensão do nazismo, sua obra foi perseguida na Alemanha. Quase 50 trabalhos de Segall existentes em museus alemães foram confiscados, e algumas dessas obras chegaram a integrar a exposição nazista de “Arte Degenerada”, realizada em Munique em 1937.

Segall morreu em 2 de agosto de 1957, aos 68 anos, em sua residência na Vila Mariana, justamente onde hoje funciona o museu dedicado à sua memória.

Linha do tempo mostra a trajetória de Segall

  • A casa de Lasar Segall

A própria sede já é uma das atrações da visita. O conjunto foi projetado em 1932 pelo arquiteto Gregori Warchavchik (1896–1972), concunhado de Lasar Segall e um dos principais nomes da introdução da arquitetura moderna no Brasil.

Depois de retornarem de Paris, onde viveram entre 1928 e 1932, Lasar Segall e sua esposa Jenny Klabin Segall estabeleceram ali sua residência. Ao lado da casa da família, Warchavchik também projetou o ateliê do artista, que possuía entrada e jardim próprios.

O modernismo também aparecia na decoração. O próprio Segall projetou diversos móveis, luminárias e tapetes utilizados na residência. Mesas, poltronas, estantes e sofás seguiam linhas retas e funcionais, com características associadas à estética moderna e à influência da escola alemã Bauhaus.

Foi nessa casa e em seu ateliê que Segall desenvolveu grande parte da produção de suas últimas décadas.


  • Da residência ao museu

Depois da morte de Segall, em 1957, sua esposa, Jenny Klabin Segall, iniciou um amplo trabalho de organização, documentação e preservação de sua obra. Ela também promoveu exposições no exterior e começou a adaptar parte da residência para receber o público, já com a intenção de transformar o local em um museu.

Jenny morreu em agosto de 1967, antes de acompanhar a conclusão do projeto. Seus filhos, Maurício Segall e Oscar Klabin Segall, deram continuidade à iniciativa e, pouco depois, em 21 de setembro de 1967, inauguraram oficialmente o Museu Lasar Segall.

Com o passar dos anos, a antiga residência foi adaptada e ampliada para atender às necessidades da instituição, mas parte importante das características arquitetônicas do conjunto foi preservada. A sede foi oficialmente tombada pelo CONPRESP em 2016 como patrimônio da cidade de São Paulo.

Emigrantes, 2012 (cópia do original de 1934)

  • O que conhecer durante a visita?

O percurso pelo Museu Lasar Segall combina arte, arquitetura e memória. Diferentemente de uma casa-museu totalmente preservada como residência, os antigos espaços familiares foram adaptados para receber exposições e atividades culturais.

As salas de exposição apresentam diferentes momentos da produção do artista. Como o museu possui milhares de trabalhos, apenas uma parcela do acervo é exibida de cada vez, permitindo a realização de exposições com diferentes recortes sobre sua trajetória, técnicas e temas.

“Rua”, 1922
“Figura com reposteiro”, 1954
“Interior de pobres”, 1921

O acervo artístico reúne mais de 3 mil trabalhos de Lasar Segall, principalmente provenientes de doações realizadas por seus filhos, Maurício e Oscar. Em 2013, o conjunto recebeu ainda outras 110 obras doadas por seu neto, Mário Segall.

Pinturas, desenhos, gravuras e esculturas permitem acompanhar as diferentes fases de sua carreira, desde sua formação e atuação na Europa até a produção realizada no Brasil.

“Dois nus”, 1930
“Família”, 1934
“Eternos caminhantes”, 1919

Entre os temas recorrentes estão a condição dos imigrantes, a cultura judaica, a guerra, a pobreza, a maternidade, retratos e paisagens brasileiras.

“Campo de Concentração”, 1945

Esculturas táteis

O museu conserva ainda um importante arquivo fotográfico. Somente a coleção reunida pelo próprio Segall possui cerca de 5 mil fotografias, além de negativos e registros fotográficos de suas obras, utilizados inclusive em pesquisas, autenticações e processos de conservação.


  • Biblioteca Jenny Klabin Segall

O museu abriga também a Biblioteca Jenny Klabin Segall, especializada principalmente em artes do espetáculo e fotografia. Seu acervo contempla áreas como cinema, teatro, dança, rádio, televisão, ópera e circo, além de reunir importante documentação relacionada à vida e à produção de Lasar Segall.

O nome é uma homenagem à esposa do artista, Jenny Klabin Segall, que, além de ter sido fundamental para a criação do museu, desenvolveu importante trabalho como tradutora de clássicos das literaturas francesa e alemã.

Infelizmente a biblioteca estava fechada no dia da minha visita.


  • Ateliê de Gravura

Localizado em um dos anexos, a instituição mantém um Ateliê de Gravura, utilizado para cursos, oficinas e atividades de experimentação artística, dando continuidade à relação de Segall com essa técnica – isso ajuda a manter a proposta do museu de ir além da exposição da obra de seu patrono.

  • Cine Segall

Outro espaço super legal (e popular) no museu é o Cine Segall, sala de cinema que mantém programação própria e reforça o caráter do museu como centro cultural. Dessa forma, o visitante encontra no mesmo conjunto exposições de artes visuais, atividades educativas, biblioteca, oficinas e programação cinematográfica.

Ainda Estou Aqui, um dos títulos que estavam em cartaz no dia da minha visita.

  • Jardins

Outro destaque são os jardins internos, que ajudam a preservar a atmosfera residencial do conjunto e criam uma área tranquila entre os diferentes espaços do museu – por eles, estão espalhadas algumas obras do artista.

‘Mãe e filho”, 1966 (cópia do original de 1954)


  • Informações importantes

Endereço

Rua Berta, 111, Vila Mariana, São Paulo – SP.

A região possui fácil acesso por transporte público. O museu fica próximo das estações Vila Mariana, Santa Cruz e Chácara Klabin do Metrô, sendo possível completar o percurso a pé ou utilizando ônibus, dependendo da estação escolhida.

Rua Berta

HORÁRIO

Atualmente, o Museu Lasar Segall funciona de quarta a segunda-feira, das 11h às 19h, permanecendo fechado às terças-feiras.

Entrada do museu

❗A entrada é gratuita todos os dias e não é necessário reservar ingresso antecipadamente para a visita regular. Em datas especiais e feriados, o funcionamento pode sofrer alterações.


  • Quando ir à Sampa

A cidade de São Paulo é um destino turístico popular durante todo o ano. No entanto, dependendo das suas preferências e objetivos de viagem, algumas épocas podem ser mais adequadas do que outras.

De forma geral, a cidade apresenta variações climáticas consideráveis ao longo do ano, com períodos mais secos e quentes e outros mais úmidos e frios.

Entre maio e setembro, durante o inverno e início da primavera, as temperaturas em Sampa são mais amenas, variando entre 12°C e 23°C, e a probabilidade de chuva é menor.

Já se você não se importa com o frio e quer aproveitar ao máximo as atividades culturais e eventos da cidade, a melhor época para visitar São Paulo é entre junho e agosto.

Apesar de ser o período mais frio do ano, com temperaturas médias em torno de 15°C, é quando acontecem alguns dos maiores festivais da cidade, como a Festa Junina, a Parada do Orgulho LGBQIAP+ e o Festival Internacional de Teatro.

Já se você está em busca de agitação e animação, a melhor época para visitar São Paulo é durante o Carnaval, que acontece em fevereiro ou março, dependendo do ano. Nesse período, a cidade é tomada por blocos de rua, desfiles de escolas de samba e muitas festas.

Dia de sol na Avenida Paulista

  • Onde se hospedar em São Paulo

A rede hoteleira de Sampa é bastante diversificada, com opções que vão desde hotéis econômicos até hotéis de luxo 5 estrelas, justamente por ser o centro financeiro e comercial do Brasil e ter uma rica oferta cultural e turística, o que atrai muitos viajantes a negócios e a lazer.

Abaixo deixo algumas indicações bacanas para vocês e que são de fácil acesso às marginais:

– Sheraton São Paulo WTC Hotel: hotel 5 estrelas localizado na região da Berrini e a diversas empresas e comodidades. Os quartos são espaçosos e confortáveis, com decoração moderna. O hotel conta com piscina, academia, spa e restaurante.

– Hilton São Paulo Morumbi: outro hotel 5 estrelas localizado próximo à Marginal Pinheiros, com vista para a Ponte Estaiada. Os quartos são amplos e confortáveis, com decoração elegante. O hotel oferece piscina, academia, spa e restaurante.

– Pullman São Paulo Vila Olímpia: hotel 4 estrelas localizado na região da Vila Olímpia e com quartos modernos e confortáveis e decoração contemporânea. O hotel oferece piscina, academia, spa e restaurante.

– Mercure São Paulo Nações Unidas: hotel 3 estrelas localizado na região da Chácara Santo Antônio, próximo à Marginal Pinheiros e ao Transamérica Expo Center. Os quartos são simples, mas confortáveis. O hotel oferece academia, restaurante e estacionamento.

– Ibis Styles São Paulo Faria Lima: hotel 3 estrelas localizado na região da Faria Lima e a diversas empresas. Os quartos são modernos e aconchegantes, com decoração colorida. O hotel oferece café da manhã, academia e estacionamento.

– Ibis São Paulo Morumbi: hotel 3 estrelas localizado na região do Morumbi e a diversos shoppings. Os quartos são simples, mas confortáveis, oferecendo café da manhã, restaurante e estacionamento.

– Travel Inn Live & Lodge Ibirapuera: hotel 3 estrelas localizado próximo ao Parque do Ibirapuera, na região da Vila Clementino. O hotel oferece piscina, academia e estacionamento.

Lembre-se de verificar a disponibilidade, preços e outras informações relevantes diretamente com as acomodações.


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