Tour pela Ilha Taquile no Lago Titicaca

Uma das mais belas e visitadas ilhas do Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo, Taquile é rica em história e tem tradições milenares. Fez parte do império Inca, foi usada como uma prisão no estilo Alcatraz pelos colonialistas espanhóis e agora é habitada por falantes da língua quechua. Taquile é praticamente intocada pela modernidade, onde nem sequer uma bicicleta, muito menos um carro, podem ser vistos, o que proporciona experiências fantásticas – isso sem falar nas belas paisagens da região.

  • História

Com 5,72 km², Taquile é a segunda maior ilha do Titicaca, depois de Amantaní, e foi parte do Império Inca, que segunda a tradição andina, surgiu nas águas no lago. No começo, a ilha se chamava Intika. Já durante a colonização espanhola, a ilha passou a fazer parte da corte de Pedro Gonzales de Taquila, originando assim seu nome atual. Os espanhóis transformaram a ilha em uma prisão e apenas em 1970 tornou-se a cidade de Taquile.

Os espanhóis também proibiram o traje tradicional Inca, o que fez a população adotar o vestido camponês que usam até hoje, por exemplo.

Os taquilenos, porém, ainda administram sua sociedade com base no código moral inca: “não roube, não minta e não seja preguiçoso”. Sua economia baseia-se na pesca, na horticultura agrícola em terraços, baseada no cultivo de batata, e na renda gerada pelos aproximadamente 40.000 turistas que visitam a ilha a cada ano –  só para efeito de comparação, Taquile tem cerca de 2 mil habitantes.

Graças a uma dieta amplamente vegetariana, diz-se que os habitantes vivem em média de 90 à 100 anos.

Região norte da ilha
  • O passeio

A cidade base para conhecer a Ilha Taquile é Puno (Peru), a maior cidade às margens do Lago Titicaca. Lá, muitas agências oferecem o passeio até as ilhas do lago, então, não é necessário reservar com muita antecedência – no dia anterior já é suficiente. Essas agências ficam localizadas principalmente na Jirón Lima, principal rua comercial da cidade. Os pacotes mais vendidos e populares incluem visitas à Uros, Taquile e Amantaní.

O passeio também pode ser fechado no próprio hotel, como eu fiz – escolhi o tour para Uros e Taquile. Não me lembro bem, mas acredito que paguei cerca de 60 soles nesse passeio, incluindo a van até o píer, transporte de lancha entre as ilhas e almoço. Uma opção mais barata é ir até o próprio píer de Puno e negociar lá mesmo o tour.

Esse é o modelo de lancha que nos levou até Taquile

Com o passeio fechado, no dia seguinte acordei cedo, tomei café da manhã e por volta das 8h a van passou no hotel para me levar até o píer de Puno, de onde partem as lanchas turísticas do passeio. Haviam argentinos, chilenos, colombianos e até uma italiana em nosso barco 😃.

Em seguida, fomos apresentados ao nosso guia bilíngue (inglês e espanhol). Não lembro seu nome, mas ele foi super simpático e nos contava inúmeras histórias da região. Também teve algumas apresentações de música folclórica.

Dentro da lancha

A primeira parada do passeio foi em Uros, as famosas e milenares ilhas flutuantes do Titicaca, onde ficamos cerca de 1h30 – saiba mais sobre essas ilhas aqui.

Uros

De volta ao barco, seguimos direto para Taquile. A viagem entre as duas ilhas leva quase 1h30 e foi bem tranquila. Um pouco antes de chegarmos, já podemos admirar suas belezas naturais. 

Os barcos de turismo deixam os visitantes em um extremo da ilha (Puerto Chilcano), onde temos que subir um elevado caminho asfaltado até a parte superior  – aproveite para admirar as paisagens surreais do local.

Puerto Chilcano
Caminho até a parte superior da ilha

Esse caminho leva até a praça central do vilarejo, localizada no centro da ilha. Lá, tivemos cerca de 20 minutos livres para conhecer o lugar. Rodeada por belos prédios coloniais, testemunhos da presença espanhola em Taquile, todas as entradas da praça são protegidas por típicos arcos – aliás, esses arcos estão espalhados por toda a ilha.

Arcos protegendo a praça

Os pontos mais interessantes da praça são a pequena Igreja de Nossa Senhora, o Centro Artesanal de San Santiago e o mirante que oferece vistas belíssimas do Titicaca.

Praça Central
Igreja
Interior da igreja
Mirante da praça central

Depois, o guia nos reuniu no centro da praça e recebemos uma apresentação da comunidade local, sobre os tecidos feitos à mão e sua importância econômica e cultural.

O guia nos contou que quando um homem está interessado em uma jovem local, ele tem que mostrar sua força. Mas não estou falando sobre força física. Espera-se que o homem tricote um chapéu forte que possa reter água e, se houver vazamentos, ele terá que tentar novamente!

A escolha da cor dos chapéus também é importante. Vermelho significa que você é casado, enquanto branco significa que você é solteiro e está pronto para começar um relacionamento.  Já as mulheres são responsáveis ​​por fabricar os Chumpis masculinos (cintos largos com desenhos de tecidos).

Inclusive, os tecidos e roupas finas feitas à mão na ilha são considerados como um dos artesanatos com mais qualidade no Peru. Tanto que em 2005 “Taquile e sua arte têxtil” foram eleitos patrimônios imateriais da humanidade pela UNESCO.

Trajes típicos da Ilha

Depois de mais algumas paradas para fotos, chegou a hora de comer a típica comida da comunidade. O almoço é frequentemente apreciado em um dos muitos restaurantes familiares, onde estão disponíveis iguarias locais. O restaurante onde fomos ficava próxima a praça e nos foi servido truta e sopa de quinoa.

Rua onde fica o restaurante

Depois, seguimos em direção ao leste da ilha, para visitar uma modesta exposição com roupas típicas da comunidade dentro de uma pequena casa. Aproveitamos também para apreciar a bucólica vista.

Região leste da ilha
Região leste da ilha

A caminhada continua por uma via asfaltado onde vários locais vendem artesanatos. O ponto final é uma grande escadaria que leva até um píer (Puerto de ocio) onde nosso barco nos espera para voltar à Puno – o guia nos deixa no lado oeste da ilha e caminhamos até o lado leste, para assim termos uma visão quase total dela. A permanência em Taquile foi de quase 3 horas, que apesar de rápida, foi extremamente interessante.

Caminhando para o Puerto de ocio, onde nosso barco partiria
Puerto de ocio
Puerto de ocio
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