Conheça o bairro de Santa Teresa, o morro mais chique do Rio de Janeiro

Nascido sobre um morro, com uma magnífica vista da cidade e ligado ao centro por um charmoso bondinho, Santa Teresa atrai, há décadas, artistas plásticos, escritores, fotógrafos, designers e, naturalmente, turistas. O vaivém de moradores e visitantes em suas ladeiras não interfere na atmosfera de cidade de interior no bairro, mas o transforma em uma espécie de vilarejo cosmopolita, cujas ruas estreitas, com casario antigo e jardins bem cuidados, escondem ateliês, bares, pousadas e uma grande variedade de atrações culturais.

Típica rua residencial em Santa Teresa: clima de interior ao lado do centro da cidade
  • História:

Muito antes de ganhar o merecido apelido de “Montmartre carioca”, o morro de Santa Teresa fez história melhorando a qualidade de vida da cidade. Surgiu no século XVIII a partir da construção do convento de Santa Teresa, quando ainda se chamava Desterro, em homenagem à Antônio Gomes do Desterro, um dos primeiros moradores do morro. Posteriormente passou a receber um grande número de imigrantes europeus, se tornando, rapidamente, um dos bairros mais chiques da cidade, com vários casarões e palacetes de arquitetura eclética.

Já na década de 1850, devido a sua localização elevada, o bairro foi um dos menos atingidos pela grande epidemia de febre amarela. Com a chegada do bonde elétrico, em setembro de 1896, e as melhorias no calçamento, o casario aumentou, os palacetes se multiplicaram e os primeiros hotéis foram inaugurados. O morro virou bairro e lar de inúmeros artistas e intelectuais. Pixinguinha, Carmem Miranda, Bibi Ferreira e Procópio Ferreira foram apenas alguns dos personagens ilustres que aqui moraram.

O índice de desenvolvimento humano do bairro, no ano 2000, era de 0,878, o 34º melhor do município do Rio de Janeiro. Mesmo assim, Santa Teresa tem algumas favelas famosas como a do Fallet e a do Morro dos Prazeres.

Contrastes em Santa Teresa
Contrastes
  • Atrações:

  • as ruas de Santa Teresa

Antigas, charmosas, cheia de históricos casarões e ateliês de arte, as ruas de Santa Teresa são uma atração à parte. Permita-se caminhar por elas para descobrir e sentir o clima interiorano do bairro – mas se prepare, pois elas são bem íngremes.  Por estar em um morro, muitas ruas são verdadeiros mirantes com belíssimas vistas do Pão de Açúcar e da Baía de Guanabara.

  • Parque das Ruínas

Situado no alto da colina, o parque é o que restou do palacete eclético de Laurinda Santos Lobo, que sediava algumas das maiores e mais famosas festas da alta sociedade carioca e que recebia artistas como Villas-Lobos e Tarsila do Amaral. Porém, a década de 1940, após o falecimento de Laurinda, que não deixou herdeiros, a casa foi abandonada e boa parte da estrutura original foi perdida. Foi só em 1997, que as ruínas do palacete foram restauradas e materiais como vidro e ferro foram foram colocados para dar acessibilidade ao lugar. Hoje, além de promover exposições de arte e apresentações musicais, o parque oferece um dos melhores mirantes da cidade.

Endereço: Rua Murtinho Nobre, 169.

O centro visto do mirante do parque
O centro visto do mirante do parque
O Cristo Redentor visto do mirante do parque
  • Museu Chácara do Céu

A casa de 1957, belo projeto de Wladimir Alves de Sousa, reúne o legado de antigo dono, o industrial e colecionador Raymundo Castro Maya. Fazem parte do acervo pinturas, gravuras e pinturas de artistas europeus como Seurat e Miró; de modernistas brasileiros como Guignard, Di Cavalcanti, Antônio Bandeira e Portinari; e uma coleção brasiliana com obras de Rugendas, Chamberlain, Taunay e um importante conjunto de gravuras de Debret. Já os jardins da casa são de Burle Marx.

Endereço: Rua Murtinho Nobre, 93.

  • Museu Casa de Benjamin Constant

Um dos mais importantes líderes da campanha pela República no Brasil, Benjamin Constant viveu por alguns anos no casarão erguido por volta de 1860.  O espaço foi transformado em museu em 1982, recriando o ambiente familiar do morador ilustre, com fotografias, mobiliário, esculturas, roupas e objetos pessoais.

Endereço: Rua Monte Alegre, 306.

Entrada do museu
  • Bondinho

Santa Teresa é um único bairro do Rio onde o bondinho ainda funciona como transporte público e essa é, naturalmente, a forma mais pitoresca de passear pelo bairro. Instalados em 1872 para ligar Santa Teresa ao Centro, passando pelos Arcos da Lapa, os bondes surgiram
como uma alternativa para se locomover pelo bairro sem precisar enfrentar as ingrimes ladeiras. Os primeiros bondes eram pintados de verde, prata e azul, porém, foram pitados de amarelo após reclamações de moradores que diziam que os bondes eram quase imperceptíveis em meio à vegetação.

Boa parte da história dos bondinhos pode ser vista no Museu do Bonde, que expõe peças variadas referentes a esse meio de transporte. Ali podem ser vistos tíquetes antigos, uniformes de condutores e relógios originais, além de maquetes e réplicas de bondes.

Museu: Rua Carlos Brandt, 14.

Fonte: Wikipedia
Uma das estações do bonde
  • Convento de Santa Teresa

Fundada pela Madre Jacinta de São José, as obras do convento começaram em 1750 e foram concluídas muitos anos depois, a partir do projeto do engenheiro-militar José Fernandes Pinto Alpoim, também responsável pela construção dos Arcos da Lapa – a proximidade com o aqueduto permitiu o abastecimento regular de água ao convento.

Endereço: Ladeira de Santa Teresa, 52

  • Largo do Curvelo

O histórico largo homenageia o Barão do Curvelo, ilustre antigo morador do bairro. Cercado por belas construções e parada do bondinho, o largo ainda é palco de artistas e de um dos blocos carnavalescos mais famosos, o Bloco das Carmelitas.

Casarão histórico no largo
  • Igreja Matriz de Santa Teresa de Jesus

A igreja matriz do bairro foi inaugurada em 14 de outubro de 1917 e tem estilo gótico francês. É dedicada à Santa Teresa de Jesus, santa espanhola canonizada em 1622.

Endereço: Rua Áurea, 71.

  • Escadaria Selarón

Uma das atrações mais famosas do Rio, a escadaria que liga o bairro da Lapa à Santa Teresa tem seus degraus recobertos por mosaicos de azulejos coloridos feios por Jorge Selarón, artista chileno radicado no Brasil e que trabalhou na decoração da escadaria de 1994 à 2013, ano de sua morte.

  • Onde fica e como chegar?

Localizado em um morro entre as zonas sul e central, Santa Teresa faz divisa com os bairros da Glória, Catete, Laranjeiras, Cosme Velho, Botafogo, Humaitá, Alto da Boa Vista, Lapa, Rio Comprido, Catumbi, Cidade Nova e o Centro.

O bonde é a forma mais usada para chegar em Santa Teresa – o único local do país, aliás, onde eles ainda estão em plena atividade – mas também se pode ir de carro, tomando as principais vias de acesso, as ruas Almirante Alexandrino, Cosme Velho, Alice, Cândido Mendes, Benjamim Constant, Santa Cristina e Joaquim Murtinho.

O ponto inicial do bonde é na Rua Lélio Gama, próximo à estação de metrô Carioca, bem no centro do Rio. As saídas ocorrem a cada 30 minutos. O custo do passeio é de R$20, o valor é pago na ida e a volta é inclusa.

Para quem vai a pé, a maneira mais fácil e segura de chegar é através da Escadaria Selarón.

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