Cemitério do Père-Lachaise: o maior e mais famoso de Paris

A morte não é o fim para os moradores de Père-Lachaise, em Paris. Seus túmulos e memoriais são visitados todos os dias por centenas de turistas procurando os famosos e não tão famosos habitantes do cemitério. Ao caminhar por ele, você começará a conectar os pontos entre os nomes nas lápides e os nomes das placas nas ruas de Paris. E como muitas coisas na cidade, visitar o Cemitério do Père-Lachaise é como voltar no tempo, além de ser o mais próximo que você poderá chegar de algumas dessas figuras imortais da história francesa e do mundo.

Aliás, aposto que você não costuma visitar cemitérios nas suas férias. Mas o que há de tão especial neste lugar é antes de tudo a beleza do espaço. Ruas de paralelepípedos cruzam o terreno em um labirinto sem fim repleto de belíssimos túmulos e milhares de árvores antigas espalhadas por toda parte. É também um lugar para fugir da loucura de Paris – o silêncio só é quebrado pelas ocasionais buzinas das ruas ao redor ou pelos corvos do cemitério (isso pode ser realmente assustador haha).

Contato com a natureza: o cemitério é muito procurado por quem procura um lugar calmo e com muito verde

  • História

Projetado pelo arquiteto neoclássico Alexandre-Théodore Brongniart em 1803, o Cemitério do Père-Lachaise foi oficialmente aberto em 21 de maio de 1804, com o enterro de uma pequena menina de cinco anos, Adélaïde Paillard de Villeneuve.

Ao longo das décadas recebeu cinco ampliações: em 1824, 1829, 1832, 1842 e 1850, passando de 17 hectares a 44 hectares e se tornando o maior de Paris – atualmente, mais de um milhão de pessoas estão aqui enterradas.

Embora seja atualmente o mais famoso de todos os cemitérios da cidade, o Père-Lachaise começou mal sua trajetória como um empreendimento comercial, incapaz de atrair o interesse dos compradores por mais de uma década após a sua fundação. A tumba do famoso dramaturgo francês Molière foi transferida para lá em 1805 (ele morreu em Paris em 1673), um ano após a fundação do cemitério, na esperança de atrair outros compradores. Os parisienses católicos haviam boicotado o cemitério inicialmente porque, sob o regime secular de Napoleão, ele não havia sido consagrado pela igreja católica, e também porque muitos parisienses o achavam muito longe da região central. Em 1817, o famoso e infeliz casal de Abelard e Heloise foi transferido para o Père-Lachaise e a popularidade do cemitério finalmente disparou.

  • Como chegar?

Existem várias estações de metrô ao redor do cemitério, portanto, chegar aqui não é um problema. A mais conveniente é a Estação Père-Lachaise, que é servida pelas linhas 3 e 2. A partir da estação, o cemitério fica a uma curta caminhada da entrada principal no Boulevard de Ménilmontant – embora haja entradas menores nos quatro lados.

  • Quanto tempo ficar?

Permita-se pelo menos duas horas completas para visitar o cemitério. Os jardins são lindos e, com todas as pessoas famosas enterradas, você se encontrará naquela estranha ‘caça ao tesouro’. Se você quiser reservar um tempo e visitar todos os residentes famosos, fazendo pequenas pausas, dá facilmente para passar de 3-4 horas aqui.

  • Como visitá-lo?

O cemitério é oficialmente dividido em seções numeradas, mas topograficamente falando, meio que dividido em três partes principais: a parte inferior e plana, próxima à entrada principal, o meio ‘montanhoso’ e novamente uma seção plana na parte superior (lado norte). A última parte contém sepulturas ‘mais recentes’ (Oscar Wilde e Edith Piaf, entre outras), enquanto as duas primeiras abrigam sepulturas antigas e às vezes em ruínas, que são os destaques arquitetônicos do cemitério.

Não existe um caminho certo ou errado para visitar o cemitério, basta seguir em frente. O lugar é bastante grande e até um pouco confuso para navegar. Há um mapa com sinalização na entrada do cemitério, mas você realmente quer algo para guiá-lo enquanto navega pelas ruas sinuosas de paralelepípedos. Portanto, meu conselho seria baixar um mapa em PDF para o seu telefonetablet ou comprar um mapa em uma das lojas ao redor do cemitério.

O que basicamente fiz foi marcar os túmulos que eu queria visitar no aplicativo de mapas offline Maps.Me e entrar no que parecia ser a melhor maneira de ir do ponto A ao B.

Seção Inferior

É fácil navegar por essa parte do cemitério, às vezes com amplas alamedas, que mais parecem boulevares. Portanto, não é nenhuma surpresa encontrar o homem que criou os grandes boulevards de Paris, o próprio Barão de Haussmann, nesta parte do cemitério.

Alameda da entrada principal

Seção do Meio

Essa é a parte das colinas – pistas estreitas levam a caminhos de terra não marcados e a maioria dos túmulos apresentam sinais de envelhecimento, com alguns abandonados.

Apesar do aspecto mais “sinistro”, essa parte do cemitério guarda os túmulos de personalidades como Fryderyk Chopin, o compositor polonês que morreu em Paris em 1849.

Não muito longe está o simples túmulo de Jim Morrison, coberto de flores e objetos deixados pelos de fans – é cercado por barreiras de segurança.

Há apenas duas quadras está o Monumento à Casimir Perier, político francês durante o reinado de Louis Philip I e pai de Jean Casimir, presidente da República Francesa.

Subindo a alameda em frente ao monumento, é possível avistar grandes mausoléus e a Capela do Père Lachaise.

Capela

Quase ao lado da Capela está Théodore Géricault, uma das principais figuras da pintura romântica francesa. Ele pintou uma imagem de um evento escandaloso de sua época em uma escala heroica, “Jangada da Medusa” (a réplica da pintura aparece no túmulo).

Próximo está a sepultura de Vivant Denon, pintor, arqueólogo, escritor e diplomata francês.

Continuando a subir, visitei Honoré de Balzac – o romancista e dramaturgo francês. Bem próximo dele está Eugène Delacroix, pintor francês que viveu em Saint Germain e cujas obras de arte (coisas realmente surpreendentes) estão expostas em vários museus do mundo (destaque para a tela “A Liberdade guiando o povo” do Louvre.

Duas quadras a frente está Allan Kardec, educador, escritor e tradutor francês, considerado o pai do espiritismo e que morreu em Paris em 1869.

seção superior

Chegando a seção superior, você verá que é muito mais fácil de transitar, com amplas alamedas e túmulos modernistas. Há também vários memoriais e monumentos, como o Memorial dos Veteranos da Checoslováquia e o Memorial aos Mortos no Voo AF 447, que ia do Rio de Janeiro para Paris e que caiu no Atlântico em 2009.

Alamedas da seção superior
Memorial dos Veteranos da Checoslováquia
Memorial aos Mortos no Voo AF 447

Entre os túmulos, o primeiro destaque aqui é Oscar Wilde, autor, dramaturgo e poeta irlandês. Wilde morreu em Paris em 1900 e foi uma parte frequente da vida parisiense durante esse tempo. Ao longo dos anos, o túmulo de Oscar Wilde atraiu visitantes que se reuniam para adornar o túmulo com beijos de batom vermelho e declarações de amor. Limpar as marcas de batom da tumba resultou em danos irreparáveis ​​e a família de Wilde pediu repetidamente que seu local de sepultamento fosse respeitado. Eventualmente, em 2011, uma barreira protetora foi erguida na tentativa de preservar a tumba, mas ainda vi muitas marcas de batom acima do vidro!

Não muito longe dali está o autor da queridinha dos entusiastas da literatura francesa, o romance A la Recherche du Temps Perdu. Estou falando de Marcel Proust, que se infiltrou indefinidamente na cultura ocidental, com seu extrato de Madeleine repetido várias vezes para mostrar a ligação entre sentido e memória. Seu trabalho foi amplamente publicado postumamente, pois sua vida foi interrompida por uma pneumonia aos 51 anos. Seu túmulo é simples e pequeno e, portanto, muitas vezes ignorado, mas o efeito que esse autor teve na cultura e na pesquisa filosófica não pode ser exagerado.

Seguindo pela avenida Transversal n° 3 está um dos túmulos mais famosos e visitados, o da Família Gassion-Piaf, onde está Édith Piaf, uma das maiores cantoras da história. Chamada de “O Pequeno Pardal”, graças à sua estatura pequena e energia incrivelmente nervosa, Piaf nasceu em intensa pobreza e foi criada em um bordel. Sua vida antes de encontrar sua voz através da performance estava cheia de angústia, incerteza e mais carisma do que qualquer um de nós pode imaginar.

Fonte: Wikipedia

Já próximo a uma das saídas, está o belíssimo prédio do Crematório.

  • Horário:

6 de novembro a 15 de março de
segunda a sábado, das 8:00 às 17:30
Dom e feriados 9:00 às 17:30

16 de março – 5 de novembro de
segunda a sábado, das 8:00 às 18:00
Dom e feriados 9:00 às 18:00

  • Se localize:

Endereço: 16 rue du Repos, 75020 Paris, França (BellevillePère Lachaise)

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