Visita guiada pelo Palácio do Itamaraty em Brasília

Um dos marcos arquitetônicos de Brasília, o Palácio do Itamaraty foi projetado por Oscar Niemeyer e é sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Em funcionamento desde 1967, o Itamaraty foi oficialmente inaugurado em 20 de abril de 1970 pelo então presidente Emílio Garrastazu Médici e desde então impressiona por seu projeto, ousadia e grande acervo – é sem dúvidas o mais belo edifício da capital.

O palácio conta com três pavimentos de concreto aparente, que dá forma ao prédio, definido por uma arcada com 14 arcos que emergem de um espelho de água com um jardim aquático desenhado por Burle Marx, que também foi responsável pelos jardins internos, sendo que o acesso ao interior é feito através de rampas. Foi por causa dessas grandes colunas que o edifício primeiramente foi chamado de Palácio dos Arcos. Porém o nome Itamaraty, nomenclatura da antiga sede do ministério das relações exteriores no Rio de Janeiro, foi mais forte e saiu vitoriosa.

Jardins aquáticos de Burle Marx

Por ser o local onde o presidente recepciona autoridades estrangeiras, o palácio também é muito conhecido pelas grandiosas cerimonias ali realizadas para chefes de estado como a Rainha Elizabeth II, Ronald Reagan e Barack Obama.

Infelizmente nós, simples “mortais”, não temos acesso a essas recepções, mas podemos conhecer o interior do palácio através de uma visita guiada.

  • A visita

A visitação guiada ao palácio é gratuita e acontece sempre aos finais de semana, em 3 horários: 9, 11 e 14 hrs. Como o número de visitantes é restrito e a procura é sempre alta, aconselho agendar a visita com pelo menos um dia de antecedência. É só chegar na recepção da entrada lateral, informar seu interesse pela visita e colocar o nome na lista, de acordo com sua preferência de horário – o tour é realizado em português.

Entrada lateral

Eu participei do tour das 9 horas de um domingo de dezembro de 2017, com um grupo de cerca de 20 pessoas, incluindo uma família de espanhóis. A guia super simpática e espontânea (infelizmente não lembro seu nome) inicia o tour no térreo, mais especificamente no hall, e nos conta um pouco do histórico do edifício.

Além de Niemeyer, colaboraram para o projeto o arquiteto Milton Ramos e o engenheiro Joaquim Cardozo, esse último foi responsável pelos cálculos estruturais que permitiram a realização de um hall com vão-livre, o maior da América Latina.

Vão-livre

Nesse hall se encontram um jardim aquático de Burle Marx e a escultura Ponto de Encontro, que possui 230 placas de alumínio que se movem, formando diferentes formas – aproveite e brinque muito com ela.

Por ser uma área de circulação e solenidades, é permitido tirar fotos no térreo. Já no segundo e terceiro andar, por serem áreas funcionais, é proibido fotografar (com exceção dos jardins).

jardim aquático de Burle Marx
jardim aquático de Burle Marx
Escultura Ponto de Encontro

Para acessar o piso superior, suba uma bonita escada que foi alvo de muitos debates por não ter um corrimão, o que segundo alguns críticos do projeto, poderia gerar acidentes.

Nesse piso, onde são realizadas entregas de medalhas, estão o painel Treliça, de Athos Bulcão e a escultura Metamorfose, de Franz Weissmann – escultura de metal colocada propositalmente próxima à escada, para se mover à medida em que alguém anda.

Painel de Athos Bulcão no 2° piso

Aliás, o Palácio do Itamaraty guarda um dos mais valiosos acervos de Brasília, com quase 600 obras entre pinturas, gravuras, esculturas e painéis de artistas como Rubem Valentim, Sérgio Camargo, Maria Martins, além dos já citados Athos Bulcão e Franz Weissmann. Entre as pinturas históricas, destaca-se obras de Pedro Américo, Cândido Portinari, Mary Vieira, Manabu Mane, Alfredo Ceschiatti e Victor Brecheret. Em frente a fachada principal, sobre o espelho d’água, está a bela escultura “Meteoro”, de Bruno Giorgi.

Escultura “Meteoro”, de Bruno Giorgi

Saindo do segundo piso, somos direcionados para o terceiro andar, onde se encontra boa parte do variado acervo mobiliário do palácio, formado por peças coloniais, barrocas, neoclássicas e itens modernistas que vão até a década de 1980. Ao todo são quatro salas visitadas nesse andar.

A primeira delas é a Sala Dom Pedro I, onde se encontra uma versão da tela ”O grito do Ipiranga”, de Pedro Américo, a “Pomba da Paz”, de João Alves Pedrosa e tapetes persas comprados no Líbano e na Inglaterra.

Ao lado está a Sala Portinari, maior área para coquetéis do palácio. Nessa sala se encontram as obras “Os Gaúchos” e “Os Jangadeiros”, de Cândido Portinari e dois grandes anjos talhados em madeira em 1737 e que pertenciam à Igreja de São Pedro dos Clérigos, demolida no início do século XX no Rio de Janeiro.

A terceira é a Sala Duas épocas, assim chamada por ter em seu acervo peças do século XVIII e obras de arte contemporâneas, como as telas de Maria Martins.

A partir dessa sala, o grupo é levado até o terraço onde se encontra um belo jardim suspenso, também feito por Burle Marx, além de várias esculturas. O terraço proporciona uma linda vista da Esplanada dos Ministérios – aproveite e tire muitas fotos, pois nessa parte é permitido.

Depois de uns 10 minutinhos nesse jardim, fomos até a Sala Brasilia, maior sala do andar e destinada a grandes eventos. Ali podemos ver uma grande tapeçaria de Burle Marx e um biombo chinês da Dinastia Ming – datada do século 14, é a obra mais antiga do acervo. E esse é o ponto final do tour.

De volta ao térreo, a guia se despede e somos liberados.

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