Liberdade, o bairro oriental de São Paulo

Como não pensar no Japão e automaticamente pensar no Bairro da Liberdade? Tradicional reduto oriental da cidade, é a maior e mais famosa referência da cultura nipônica em São Paulo. A Liberdade também é a maior comunidade japonesa fora do Japão, além de ser um importante reduto de chineses e coreanos.

O bairro é grande e vários pontos interessantes infelizmente ficam escondidos e são poucos visitados. Por isso decidi contar pra vocês como foi minha experiência no bairro, o roteiro que fiz, as atrações que visitei, os lugares onde comi e comprei :-P:-P:-P .

Todas decoradas com as tradicionais e fofinhas luminárias típicas, as ruas do bairro já são uma atração a parte. Então não deixe de andar por elas e apreciar seus encantos. O bairro também apresenta bonitas construções com arquitetura eclética e art nouveau, sendo que muitas delas tiveram suas fachadas estilizadas.

Luminárias típicas

  • História

Assim como outros bairros de São Paulo, a Liberdade surgiu a partir do loteamento de chácaras ali existentes no século XIX. Apesar de atualmente se localizar ao lado do centro, a região até então era considerada uma área periférica conhecida como Bairro da Pólvora, devido a Casa da Pólvora construída em 1754, onde hoje se encontra o Largo de mesmo nome.

Antes ocupado por negros e escravos, desde o início de sua urbanização, a Liberdade se tornou reduto de imigrantes portugueses e italianos, que construíram inúmeros casarões e palacetes na região. Com o passar dos anos, boa parte dessas construções foram transformadas em pensões e repúblicas de baixo custo para estudantes e imigrantes orientais, principalmente os japoneses, que começaram a chegar a partir da década de 1920.

Praça da Liberdade
  • Atrações

Catedral Metodista de São Paulo

Casa de Portugal

Teatro da Fecap

Largo da Pólvora

Praça e Feira da Liberdade

Até 1891, o lugar onde hoje se encontra a famosa Praça da Liberdade era o Largo da Forca, onde inúmeros criminosos e escravos eram executados em praça pública. Já o atual nome da praça lembra a abolição da escravatura no Brasil, em maio de 1888.

A popular Feira da Liberdade funciona há mais de 30 anos na praça. Nela é possível encontrar os mais variados produtos, desde artesanato, gastronomia e arte.

Capela de Nossa Senhora dos Aflitos

Depois de executadas no Largo da Forca, boa parte dos corpos eram encaminhados para o popularmente conhecido Cemitério dos Enforcados, que se localizava ali ao lado, entre as atuais ruas Galvão Bueno, Estudantes e Glória. Fundado em 1779, foi o primeiro cemitério público de São Paulo. Do antigo cemitério, sobrou apenas essa pequena capela dedicada à Nossa Senhora dos Aflitos.

Avenida da Liberdade

A antiga rua da Pólvora passou a se chamar Liberdade em março de 1952, se tornando uma das principais vias do bairro.

Igreja de Santa Cruz das Almas dos Enforcados

Diz a lenda que a pequena Igreja de Santa Cruz dos Enforcados foi construída em homenagem à um soldado que ao ser enforcado ali em frente, reclamou sobre salários atrasados com a Coroa Portuguesa. A corda da forca rompeu três vezes e o soldado acabou sendo morto com pancadas. O episódio sensibilizou as pessoas ali presentes, que gritavam “Liberdade, Liberdade!”. Inclusive esse é uma das hipóteses para o nome do bairro.

Rua Galvão Bueno

Principal rua comercial do bairro, a Galvão Bueno é repleta de lojas, mercados típicos e restaurantes, além de ser palco de constantes apresentações artísticas e culturais. É nela que se localiza também o Jardim Oriental, o Portal Japonês e parte da Feira da Liberdade.

Ao contrário do que muita gente pensa, seu nome não é uma homenagem ao comentador esportivo da rede Globo, mas sim à Carlos Mariano Galvão Bueno, professor e advogado que morreu afogado em maio de 1883 durante uma pescaria no Rio Tamanduateí.

Torii

Esse tradicional portal japonês fica localizado na Rua Galvão Bueno, bem na entrada do viaduto Cidade de Osaka.

Jardim Oriental da Liberdade

Localizado na Rua Galvão Bueno, o jardim é cheio de vegetação, lagos e pedras que fazem referência a misticidade cultural do oriente.

Viaduto Cidade de Osaka

Até meados da década de 1960, a Liberdade era conhecida principalmente por seus cinemas, como o Nippon, o Joia, Tokyo e principalmente o Cine Niterói, o primeiro deles. Porém, com o crescimento desenfreado da cidade, vários cinemas e outras construções históricas do bairro foram demolidas para dar lugar à Ligação Leste-Oeste, avenida que mudou completamente o panorama do bairro, o dividindo em duas partes. O viaduto (que presta homenagem a cidade japonesa de Osaka) é a principal ligação entre elas e oferece uma belíssima vista.

Atividades sendo realizadas sobre o viaduto durante a Virada Esportiva
Comunidade japonesa participando de atividades da Virada Esportiva no viaduto
Arte nas construções ao redor do viaduto
Ligação Leste-Oeste vista do viaduto

Rua dos Estudantes

Parece uma via qualquer, passando quase despercebida em meio à grande movimentação do bairro, mas essa rua tem uma das histórias mais interessantes da Liberdade. A começar pelo seu nome, que foi uma homenagem aos inúmeros estudantes (principalmente da Faculdade de Direito) que ali moravam em pensões e repúblicas.

Ali também morou Álvares de Azevedo e Bernardo Guimarães, dois importantes nomes da nossa literatura. Dizem também que foi em um dos sobrados da rua que Dom Pedro conheceu sua amante Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos.

Sede do Museu Manabu Mabe

Museu Histórico da Imigração Japonesa

Inaugurado em junho de 1978 pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, o museu conta com um acervo de mais de 97 mil peças entre fotografias, livros, filmes e indumentária. A abertura oficial do museu contou com a presença do então príncipe herdeiro do Japão, Akihito.

Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, sede do Museu Histórico da Imigração Japonesa

Templo Soto Zenshu

  • Gastronomia

Não podemos falar da Liberdade e não citar o roteiro gastronômico do bairro. São inúmeros restaurantes típicos, lanchonetes, mercados e padarias, para os mais diferentes estilos (e bolsos).

No finalzinho da Rua da Glória, eu resolvi provar pela primeira vez a peculiar culinária coreana no Portal da Coréia. um dos mais famosos e bem avaliados restaurantes asiáticos de Sampa. Com preços que variam muito de prato para prato, ficando na faixa de 50 reais por pessoa, o restaurante conta com bom atendimento e cardápio variado.

Como não sou conhecedor da comida coreana, fiz o pedido de acordo com a foto no menu (só não lembro o nome dos pratos ::mmm:), comi e no final não cheguei à uma conclusão se gostei ou não de comida coreana :D. Acho que é melhor comprovar isso quando eu for à Coréia haha. Mas no geral achei a comida um pouco sem gosto.

Pastéis coreanos

Também foi ali na Liberdade, em um pequeno estabelecimento na Rua dos Estudantes, que eu comi o pastel de frango (tinha que ser de frango) mais gostoso da minha vida, no Yoka Pastéis.

Bem em frente fica a Padaria Bakery Itiriki, onde comi alguns docinhos maravilhosos. Sério, a vitrine dessa padaria é coisa de outro mundo :).

Gordices na Liberdade

Não deixe também de visitar os mercadinhos tradicionais da região, que vendem os mais diversos e exóticos produtos do oriente.

  • Se localize

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