Goiânia, a capital nacional do Art Déco

Engana-se quem pensa que Brasília foi a primeira grande cidade brasileira projetada. 27 anos antes da Capital Federal ter sido inaugurada, em 1933, era lançada a pedra fundamental de Goiânia, a futura capital política e administrativa do estado de Goiás. Essa proposta de transferir a capital do estado da Cidade de Goiás já vinha de muitas décadas, porém foi graças a influência do movimento Marcha para o Oeste, uma política nacional desenvolvimentista de Vargas que visava exatamente o desenvolvimento e ocupação da região centro-oeste brasileira, que o projeto definitivamente saiu do papel. Pedro Ludovico Teixeira, interventor federal nomeado por Getúlio foi uma figura fundamental para a construção de Goiânia, pois foi ele que criou a primeira comissão a fim de escolher o local e os técnicos responsáveis. No relatório final dessa comissão, ficou decidido que a nova capital seria construída em uma região de fazendas no povoado de Campinas e que o nome passaria a ser Goiânia, não revelando os motivos para tal escolha, permanecendo um mistério até hoje. Já a inauguração da nova cidade de fato ocorreu em 1937.
  • Informações práticas:

Nome: Goiânia
Estado: Goiás
Fundação: 1933
População: 1.466.00 (2017) -1° estado |12° país
Gentílico: goianiense
IDH: 0.799 – 1° do estado entre 246 municípios
Teatro Goiânia
 Atílio Corrêa Lima, que havia estudado urbanismo em Paris, foi o responsável pelo projeto inicial da cidade, que incluiu um elaborado complexo viário e um grandioso conjunto de edifícios em Art Déco, estilo arquitetônico que surgiu no Brasil na década de 1920, mas que teve seu apogeu entre 1930 e 1940 da era Vargas. Acabou se tornando o estilo arquitetônico oficial da maioria dos edifícios públicos construídos no período, popularizando-se para outras áreas e que tinha como uma de suas principais características as linhas geométricas e sem grandes ornamentações, sendo considerado um referencial de progresso e modernidade.
Sua importância é tanta para a história de Goiânia que um conjunto de 22 construções em Art Déco foram tombadas como patrimônio histórico a nível nacional em novembro de 2003 pelo IPHAN, consolidando o acervo goiano como o mais significativo do país. E esse acervo tombado inclui edifícios, monumentos, o traçado urbano original de Goiânia e o núcleo de Campinas, cidade que se transformou em um dos bairros de Goiânia, quando a mesma foi projetada, sendo assim o mais antigo de todos os setores.
Relógio da avenida Goiás
Infelizmente, pouca gente sabe do real significado que esse acervo arquitetônico e urbanístico tem para a cidade, incluindo a maioria dos goianienses. Também falta maior divulgação e zelo desse patrimônio por parte do governo. E esse é um outro ponto que me chamou a atenção nessas construções, e de forma negativa, já que boa parte delas aparenta estar abandonada. É o que acontece com o Grande Hotel, a Estação Ferroviária, o Coreto e com a antiga Chefatura de Polícia. Mesmo assim, o acervo Art Déco goianiense merece ser visitado e apreciado, como eu fiz.
A situação atual do Coreto é alarmante

     O que visitar:

Trago aqui uma lista com as construções tombadas que eu visitei e que fazem parte da história da fundação dessa que em menos de 100 anos já é a segunda maior cidade do Centro-Oeste.
  • Palácio das Esmeraldas

É o edifício mais famoso e simbólico da cidade, além de ser, na minha opinião, o mais bem preservado dessa lista do IPHAN. É a residência oficial do governador do estado e palco das principais decisões administrativas. Inaugurado junto com a cidade, em 1937, seu nome é uma referência ao verde-esmeralda de sua fachada. Conta com inúmeros aposentos, um imponente salão nobre e um bonito jardim logo na entrada do edifício, com um chafariz e um busto em homenagem a Pedro Ludovico Teixeira. Visitas ao interior do palácio são permitidas apenas com dias e horários pré agendados.

Endereço: Praça Cívica Pedro Ludovico Teixeira – Setor Central.

  • Trampolim e Mureta do Lago das Rosas

Construído na década de 40, o Lago das Rosas foi o primeiro parque da cidade, tendo esse nome pois ali se encontrava um grande canteiro de rosas. Eleito o principal cartão postal pelo goianienses, o parque abriga 2 fragmentos em Art Déco, um curioso trampolim e as muretas do lado norte do lago, que passam quase despercebidas pela maioria das pessoas.

Endereço: Alameda das Rosas, 957 – Setor Oeste

Lago das Rosas com o curioso trampolim
  • Estação Ferroviária

Um dos marcos da cidade, a Estação foi inaugurada em 1950 e ficou em funcionamento até 1980, fazendo parte da antiga Estrada de Ferro Goyaz. Depois de anos de abandono e vandalismo, a estação começou a ser restaurada no final de 2017 em uma obra orçada em mais de 5 milhões de reais e que também inclui intervenções paisagísticas na região ao redor, que hoje está bem degradada e insegura.

Endereço: Praça da Estação, Avenida Goiás x Avenida Independência – Setor Central

A imponente estação está passando por obras de restauro
  • Grande Hotel

Inaugurado em 1937, foi o primeiro hotel da cidade, recebendo hóspedes ilustres, como Monteiro Lobato e o chileno Pablo Neruda, e sendo palco de inúmeros eventos. Há alguns anos, porém, seus 60 quartos não recebem mais hóspedes. No local agora funciona um museu e centro cultural, com biblioteca e várias atividades socioeducativas, apesar da má conservação do seu edifício.

Endereço: Avenida Goiás, 462, esquina com a Rua 3 – Setor Central

Lateral do Grande Hotel
  • Teatro Goiânia

Mais antigo, tradicional e significado espaço cultural da cidade, o Cine Teatro Goiânia começou a ser construído em 1940 e foi inaugurado em 1942 pelo próprio interventor do estado, Pedro Ludovico, com a exibição do filme Divino Tormento do diretor W. S. Van Dyke. Apesar de ter sido projetado para cinema e teatro, poucos filmes ali foram apresentados ao longo da história, sendo palco de constantes peças teatrais, danças, música erudita e orquestras sinfônicas.

Endereço: Avenida Tocantins x Avenida Anhanguera – Setor Central

Teatro Goiânia
  • Coreto

Em 1942 centenas de pessoas vieram de várias regiões do estado para prestigiar o Batismo Cultural de Goiânia com a presença da Banda Sinfônica da cidade e que acontecia no Coreto da Praça Cívica. Décadas depois, porém, o que se vê é o completo abandono. O coreto está completamente desfigurado, pichado e lar para moradores de rua (o cheiro de urina é bem forte).

Endereço: Localiza-se no início da Avenida Goiás, ao lado do Relógio e da Praça Cívica – Setor Central.

  • Relógio

Inaugurado em 1942 junto com o Batismo Cultural da cidade, o relógio foi projetado por Américo Vespúcio Pontes.

Endereço: Avenida Goiás, ao lado do Coreto – Setor Central.

  • Museu Casa Pedro Ludovico 

Iniciada em 1934 e concluida em 1937, o imponente casarão em Art Déco foi um projeto do escritório de Coimbra Bueno, com uma pequena participação de Atílio Corrêa Lima. Serviu como residência oficial do interventor Pedro Ludovico Teixeira até o ano de sua morte, em 1979. Nesse mesmo ano foi autorizada a construção de um museu na antiga residência, algo que só se concretizou em 1987. Nele, o visitante pode conferir boa parte do acervo original da casa, incluindo móveis, porcelanas, vestuário e a biblioteca particular de Ludovico.

Endereço: Rua Dona Gercina Borges Teixeira, 47 – Setor Central.

Museu Pedro Ludovico: antiga residência oficial do interventor do estado e um dos responsáveis pela construção de Goiânia.
  • Antiga Chefatura de Polícia

Construído na década de 1930 para abrigar a Chefatura de Polícia, o edifício já abrigou o Superintendência de Planejamento do Estado, a Empresa de Obras Públicas e a Procuradoria Geral do Estado. Hoje, porém, o edifício está abandonado, com sua fachada toda vandalizada, mesmo ele ficando praticamente ao lado da sede do governo, na Praça Cívica.

Endereço: Praça Cívica Pedro Ludovico Teixeira – Setor Central.

  • Fórum

Localizado ao lado do Palácio das Esmeraldas, o edifício abriga atualmente a Procuradoria-Geral do Estado de Goiás.

Endereço: Praça Cívica Pedro Ludovico Teixeira – Setor Central.

Forúm
  • Obeliscos

Ficam localizados na Praça Cívica.

 

Abaixo estão os outros bens que incluídos na lista do IPHAN mas que não tive a oportunidade de conhecer ainda:

  • Fontes Luminosas
  • Delegacia Fiscal
  • Museu Zoroastro Artiaga
  • Secretaria geral
  • Tribunal Eleitoral
  • Liceu de Goiânia
  • Escola Técnica Federal de Goiás
  • Antigo Palace Hotel
  • Sede do Fórum e da Prefeitura de Campinas
Momento selfie haha
Palácio das Esmeraldas
  • Se localize:

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